Devo escrever o projeto pensando no edital (ou concurso?)? Escrevo minha ideia exatamente como concebi e corro o risco de ser considerada (o) ousada (o) demais? Corto algumas coisas do projeto inicial para soar mais viável à comissão julgadora? Fui escolhida(o) e querem mudar muita coisa da minha ideia, vou perder autoria, devo me submeter?

Estas e outras questões povoam a cabeça da maioria das pessoas que querem inscrever um projeto, principalmente se tratando do mercado audiovisual, em que os custos de produção muitas vezes são maiores do que de outras áreas criativas. As perguntas refletem uma das maiores angústias de quem quer inscrever seu projeto e acredita na sua ideia: Autoralidade versus Adequação ao Mercado. Como, em um edital que recebe cerca de 1500 projetos por edição, como o NETLABTV, ganhar destaque com algo original? Como ser escolhido e ainda conseguir levar adiante o projeto sem perder a essência do que foi idealizado?

Para o roteirista Ricardo Tiezzi, fazer este questionamento é importante, principalmente no que diz respeito ao que é realizado hoje. “Com tantos profissionais produzindo tanta coisa, ter uma ideia que se destaque nesse mercado é difícil, mas é o que faz com que você saia na frente e não seja eliminado imediatamente. As séries estão evoluindo muito e o ‘mercado mais ou menos’ já está saturado. Você precisa se fazer a pergunta: ‘eu acredito nas minhas ideias?’ O resto deixa com o mercado”, orienta Tiezzi.

“Claro que você precisa ter uma preocupação com o seu público, precisa ter bom senso e considerar o elemento humano, que é quem vai dar audiência para você você, por exemplo. Em todos os meios, mas especialmente no Social Video, você tem que ter consciência de que é um relacionamento”, completa Manu Bernardi, roteirista e especialista em criação de séries para internet.

A preocupação com a possibilidade da criação perder a autoralidade também é inevitável. Os canais de TV, mesmo interessados nas produções, têm um público-alvo a servir e certamente precisarão fazer adaptações em um ponto ou outro. “Se você acredita na sua ideia, você tem que criar. Depois você deixa na mão do mercado, que vai avaliar até que ponto vale a pena tentar adequar e a melhor maneira para os dois lados de se fazer isso”, explica Tiezzi.

Para o roteirista, é preciso ter a consciência de que é não é a sua história, mas sim uma história compartilhada. “Não se trata de abrir mão de ideias e de convicções, mas de se negociar com elas. Vai sabendo que o jogo é esse”, conclui.

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