O Brasil ainda tem dificuldade de criar a imagem do herói, o personagem que gera identificação no público e que, mesmo tendo suas fraquezas, possui virtudes e personifica valores capazes de mobilizar e emocionar o espectador.

De acordo com o diretor e roteirista Roberto Moreira, o principal desafio é encontrar, dentro da realidade brasileira, personagens com os quais as pessoas queiram se relacionar.

Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma profusão de heróis tradicionais, como o Homem Aranha e o Super Homem, sem contar os heróis que, em dia com a contemporaneidade, têm suas contradições bem marcadas, mas ainda assim provocam identificação com o público, como é o caso do Homem de Ferro e de Batman. “Aqui a gente não tem herói. A gente tem a figura do Capitão Nascimento, que é um homem complexo, dividido e ambivalente. Geralmente nossa tradição na dramaturgia não prima pela criação de personagens fortes, determinados e com qualidades heroicas”, explica Moreira.

O brasileiro é  um povo que gosta de se ver na sua teledramaturgia, haja vista a força das telenovelas, que não só refletem a realidade do País como influenciam mudanças de hábitos e paradigmas, em uma sinergia rara entre audiovisual e público. É neste sentido que um dos caminhos para se solucionar a questão da falta de heróis nacionais é unir o potencial brasileiro ao know how que a indústria norte-americana desenvolveu ao longo das últimas décadas. “Se a gente conseguir colocar as nossas questões e os nossos conflitos na tela, é gol!”, aposta o roteirista Luca de Paiva Mello.

Para Matias Mariani, diretor e produtor, o melhor roteirista é justamente o que vê a dramaturgia americana e extrai dela o que ela tem de essencial. “Não a forma de se construir um roteiro, mas sim a dramaturgia que há na essência dela”, diz Mariani. “Sinto que tem um lado quase de pesquisa antropológica que precisa ser feito. O gênero é importante, mas ele não funciona se não está bem motivado pela realidade em que a situação acontece”, acredita Moreira. “Precisamos pensar numa história, por exemplo, como a da série Lost, com ganchos, objetivos dramatúrgicos e interação de personagens, e conseguir pensar essa teia no Brasil e pensar nela”, completa Mariani.

“A gente tem um acervo infinito, uma música que é infinita e muito própria. Mas se a gente não souber formatar, isso se dissolve, não gera interesse e ninguém vê. Temos de ter muito cuidado. É como a Floresta Amazônica, há milhões de fontes. Mas o que acontece? Vêm os estrangeiros, pegam as patentes levam e vendem em outro lugar. Se a gente não souber fazer isso com o arsenal de histórias que a gente tem é perigoso”, alerta o diretor Karim Aïnouz.

Para Minom Pinho, produtora executiva do NETLABTV, o grande desafio é formar profissionais no segmento de criação de roteiros que estejam aptos a lidar com o balanço entre diversidade, criatividade e mercados. “E nesse momento o NETLABTV se conecta com esse novo empreendedorismo que a gente precisa fomentar a partir do advento da economia criativa e da consolidação das séries com propriedades intelectuais brasileiras comercializáveis. Um roteiro bem estruturado e alinhado a mercado é o começo de tudo, é o projeto que vira produto”, define a produtora.

De olho no potencial e no crescimento do mercado audiovisual e dos roteiristas brasileiros, o concurso NETLABTV de novas ideias de séries brasileiras busca identificar talentos criativos de todo o País e gerar mais oportunidades de negócio para o setor audiovisual.

Além das categorias Ficção e Não Ficção, em 2017 foi criada a nova categoria Social Video, na qual estudantes concorrem ao inscreverm roteiros de séries de curta duração focadas nas redes sociais.

Os 12 vencedores (quatro por categoria) participarão de um laboratório em São Paulo e pitching dos projetos para players de mercado de TV e internet, além de receberem consultoria e verba de apoio para o desenvolvimento dos seus roteiros. Nas duas edições anteriores, o concurso recebeu inscrições de três mil projetos de criadores de 26 estados brasileiros.

O NETLABTV tem como parceiros institucionais os principais canais e programadoras de TV por assinatura e agregadores de internet do país e também o apoio da Associação de Autores Roteiristas – ABRA, SPCINE e BRAVI – Brasil Audiovisual Independente. Além do Concurso, o projeto realiza seminários, masterclasses, laboratórios, consultorias e pitchings e dissemina conhecimentos sobre criação e mercado via Blog e redes sociais

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