Aproximadamente 95% do lixo presente nas praias brasileiras são resíduos plásticos. A estimativa é do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP), que, desde 2012, realiza monitoramentos periódicos nos oceanos do país. “O motivo desse número é que a sociedade demanda o uso intensivo deste item. Além disso, ele flutua com facilidade, é dispersado pelas correntes e se acumula em outras localidades”, justifica o professor do IO, Alexander Turra.

Os itens que atualmente boiam nos mares do país variam de garrafas pets a cotonetes e potes de margarina. Cada um deles terá um impacto diferente na vida marinha. As sacolas plásticas, por exemplo, são confundidas com alimentos pelas tartarugas. Sua ingestão pode provocar asfixia ou ferir órgãos internos do animal. “Outro problema é que diversas substâncias nocivas são acumuladas com facilidade na superfície do plástico, e acabam sendo levadas para o interior dos animais”, adverte Turra.

Consumo consciente

Para a doutora em saneamento ambiental e professora da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), Francieli Helena Bernardi, reduzir o consumo dos itens plásticos é fundamental para combater o lixo dos oceanos. “Vale, por exemplo, evitar consumir água de garrafas plásticas, adotar filtros ou preferir as embalagens retornáveis”, recomenda. As sacolinhas, por sua vez, podem ser trocadas pelas ecobags de tecido ou caixas. Quando necessária a sua utilização, aproveite o máximo sua capacidade para evitar usar muitas unidades.

“Reutilize as embalagens plásticas de arroz, açúcar e feijão como saco de lixo na residência. E, sempre que possível, opte pelas sacolas orgânicas confeccionadas com polímeros naturais, pois essas são biodegradáveis. O plástico, por sua vez, demora até 400 anos para se decompor”, complementa.

Outras dicas importantes: prefira potes de vidro para organizar alimentos; evite produtos descartáveis, como fraldas, copos e talheres; reduza o consumo de congelados e priorize alimentos comprados a granel, que dispensam a embalagem. Além do consumo, uma segunda ação importante na guerra ao plástico é a reciclagem.

“Antes de enviar para a coleta, as embalagens plásticas devem ser limpas e sem resquícios de produtos”, ensina o mestre em saneamento ambiental, Fellipe Martins Damaceno.

A grande maioria dos plásticos pode ser reciclada. Contudo, o poliuretano (esponjas) e basquelite (resina usadas em telefones, rádio e cabo de panela) não os são. Para completar, há tipos cuja reciclagem é custosa e não realizada por todas as cooperativas, como os metalizados (das embalagens de chocolates, salgadinhos e sachês) e o acrílico. Por esse motivo, seu consumo deve ser reduzido.

Iniciativas internacionais

Para combater o lixo plástico nos oceanos, diversas iniciativas têm ocorrido ao redor do mundo. Em 2017, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a campanha #CleanSeas (#MaresLimpos), que terá ações durante cinco anos para conter essa poluição. Segundo a iniciativa, manter o mesmo ritmo de produção e consumo de plásticos resultaria em mais lixo do que peixes nos oceanos no ano de 2050.

Já no Brasil, o Ministério do Meio Ambiente prepara o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, com previsão de lançamento ainda em 2018.

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