Leonardo Valle

Aos domingos, Maria Cristina Silva Almeida, 70, e seu marido Sidnei Luís, 60, gostam de passar a tarde cuidando da horta que criaram em uma praça na rua em que moram, em São Paulo (SP). A dupla ajudou a organizar um mutirão que revitalizou duas praças que ficam no entorno sendo, atualmente, os únicos participantes com mais de 60 anos do grupo.

“Eu morei em fazenda, e ensinei o grupo que não se devia recolher as folhas das árvores que caem, porque essas servem de adubo”, conta Almeida. “Em contrapartida, aprendi com eles como cuidar dos pássaros”, acrescenta ela, que coleta frutas doadas pelo comércio do bairro para oferecer às aves.

Tanto em casa quanto em coletivos que atuam em áreas urbanas, o trabalho com hortas é uma atividade indicada para idosos. “Os benefícios vão desde o preenchimento do tempo livre e o aumento do senso de utilidade, passando pela socialização e o contato entre diferentes gerações. Criam-se vínculos afetivos significativos entre vizinhos e parentes”, explica a arquiteta e professora no curso de gerontologia da Universidade de São Paulo (SP), Maria Luisa Trindade Bestetti.

Casal Maria Cristina Silva Almeida e Sidnei Luís na horta que criaram em uma antiga praça abandonada, em São Paulo (crédito: Leonardo Valle)

 

Para Almeida, essa integração foi justamente um ponto positivo da atividade. “A grande maioria dos meus amigos são jovens, incluindo os da faixa de vinte anos”, relata. “Para pessoas com mais de 60, indico ir para rua, participar de grupos para revitalizar praças e criar hortas. Vale a pena”, recomenda.

Ganhos cognitivos

Atividades relacionadas a horticultura e jardinagem também apresentam ganhos cognitivos, como aponta Bestetti. “É uma prática que demanda pouco empenho físico e traz o desejo de acompanhar de perto o ciclo de vida daquele ser “, assinala. “Quando a capacidade cognitiva está preservada, esse idoso vai exercer atividades diárias que requerem disciplina, como molhar adequadamente as plantas, marcar as sementes plantadas e outras funções que servem de exercício cognitivo”, acrescenta.

As hortas também podem ser criadas em apartamentos e quintais, como fez a aposentada Maria Magnólia de Matos, de 73 anos. Moradora de São Paulo (SP), ela planta verduras, hortaliças e frutas. “Eu fofo a terra, adubo bem e tenho o cuidado diário de arrancar as folhas velhas, ajeitando e plantando umas e outras”, revela. “Gosto de colher minha salsinha, couve e catalônia amarga e de tê-las à mão sem precisar ir à rua. Colho nos meus vasos e me sinto muito bem”, garante.

Aos 73 anos, Maria Magnólia cuida diariamente da horta que criou em casa (crédito: arquivo pessoal)

 

Bestetti também recomenda a horta cultivada em casa como atividade de socialização para pessoas com mais de 60 anos. “Filhos, netos e amigos podem se interessar e aprender como se faz”, aponta. No caso de Matos, a família prestigia seu trabalho incentivando e provando o que a aposentada planta. “Por exemplo, eu planto parreira de uva, que já colhi e meu genro gosta”, comemora.

Para quem mora em apartamento ou casas pequenas, as plantas que servem de temperos são uma boa indicação para começar uma horta, podendo ser plantadas em vasos e floreiras. A lista inclui manjericão, hortelã, alecrim, orégano, coentro, cebolinha e salsinha.

“Para o idoso, é importante que os vasos estejam em uma altura adequada, para que não haja esforço em demasia e não prejudique sua postura. Pode também ser uma altura em que ele possa trabalhar sentado”, recomenda.

Veja mais:
Feiras de trocas de sementes estimulam o plantio e combatem o consumo
Em São Paulo, moradores se unem para revitalizar praças abandonadas

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