Leonardo Valle

Fabíola Rodrigues e Fabiana Cabral fazem parte de um grupo de três famílias de São Paulo que possuem casa de veraneio em Peruíbe (SP) e se conhecem há mais de 20 anos. Um dia, incomodadas com a quantidade de lixo nas praias da cidade, as amigas resolveram levar sacolinhas para recolher os resíduos que encontrassem durante a caminhada.

“Pensamos: ‘vamos fazer mais do que isso e reunir toda a turma para recolher o lixo juntos?”, lembra Rodrigues. Surgia, assim, o movimento Família Catalixo, que procura fazer mutirões periódicos de limpeza nas praias da região. “É uma ação simples. A gente se reúne com luvas e sacolas, cada um vai para um lado, e tentamos recolher o máximo de material possível”, resume. “Acreditamos que, se cada um fizer sua parte, podemos preservar o meio ambiente.”

Mutirão de amigos conta com aproximadamente 20 pessoas que fazem limpezas periódicas nas praias (crédito Família Catalixo)

 

Onda verde

Também foi da reunião de um grupo de amigos que surgiu um movimento que limpa as praias de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. A iniciativa foi dada por Danilo Tauil em novembro de 2017 e batizada de Onda Verde. Ainda hoje, ela ocorre todo último domingo do mês. Da ação, ele criou a ONG Esmeralda.

“Onda Verde são mutirões de limpeza, precedidas de uma aula de ioga e alongamento. As pessoas se reúnem num ponto da orla, recebem sacolas e luvas biodegradáveis e saem para a limpeza. Uma parte dos voluntários fica responsável pelas sacolas de papel e passa distribuindo para as pessoas na areia com o intuito de conscientização”, destaca.

Mais de 500 pessoas já participaram da ação, que recolheu 2,5 toneladas de lixo. “O reciclável recolhido em Ubatuba segue para uma cooperativa da cidade. Os orgânicos são destinados para as caçambas da prefeitura”, assinala.

Bom exemplo

De acordo com Rodrigues, o lixo mais encontrado nas praias é bituca de cigarro, seguida de itens plásticos em suas mais variadas vertentes. “Todo o tipo de material descartado incorretamente já foi encontrado, como preservativos, absorventes, fraldas e cacos de vidro”, lista.

Grupo aponta mais lixeiras e campanhas de conscientização como saídas para garantir praias limpas (crédito Família Catalixo)

 

Segundo ela, o fim do problema passa por políticas públicas do Estado. “Faltam cestas de lixo nas praias e, principalmente, campanhas de conscientização para que as pessoas não joguem lixo na areia”, analisa. “Percebemos que quem faz isso olha feio quando passamos, não dando abertura para o diálogo. Por isso, apenas passamos e recolhemos”, explica.

Mesma experiência é vivida pelo grupo Onda Verde. “Minha dica é: evite embates. Pra nós, a maneira mais eficiente de tocar as pessoas é por meio do bom exemplo”, orienta Tauil. “O maior desafio é fazer com que as pessoas entendam que não existe jogar fora. Todo o plástico produzido na história ainda está presente de alguma maneira por aqui. Por isso, é tão importante que saibamos destinar nossos resíduos corretamente”, complementa.

Para quem deseja criar seu próprio mutirão de limpeza de praia, Rodrigues garante que é mais simples do que se imagina. “Basta juntar o pessoal da rua, amigos, vizinhos e marcar como ponto de encontro aquele quiosque que todo mundo já costuma se reunir. Distribua sacolinhas e aproveite o período da manhã ou do fim do dia para recolher o lixo. A caminhada pode durar de uma a duas horas. Ao final, descarte o material recolhido nas caçambas e lixeiras da prefeitura”, ensina.

Bituca de cigarro é o tipo de lixo mais encontrado nas praias de Peruíbe e Ubatuba, segundo organizadores dos mutirões (crédito Família Catalixo)

 

Para quem deseja acompanhar os próximos mutirões, os grupos divulgam as ações em seus perfis nas redes sociais: Instagram da ONG Esmeralda e Facebook do Família Catalixo.

Veja mais:
Combate ao lixo dos oceanos passa por redução no consumo de plástico
Em São Paulo, moradores se unem para revitalizar praças abandonadas

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