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Marcelo Abud

A partir de janeiro de 2019, a área da cultura será incorporada ao recém-criado Ministério da Cidadania. Ao unir essa pasta a outras, como desenvolvimento social, esportes e parte da Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), corre-se o risco dela ficar associada apenas a um papel assistencialista. Essa é a opinião de José Roberto Sadek, gestor público de cultura, ex-secretário-adjunto da Cultura na cidade de São Paulo e ex-secretário da Cultura do estado de São Paulo.

Ouvido pelo Instituto NET Claro Embratel, Sadek chama a nova pasta de ministério das variedades. “A Cultura vai pro Ministério da Cidadania, que parece ser o lugar pra onde vai tudo o que ninguém sabe onde por. Não há ministro craque em cultura, assistência social e combate às drogas, por mais bem intencionado que seja”.

Na percepção do entrevistado, a medida pode prejudicar o setor: “Um dos motivos pelos quais a área deve ficar sozinha é que, além de significar cerca de 4% do PIB, apresenta alta complexidade de suas atividades fim: de games a circo, de concertos de música clássica a saraus da periferia. A gama de assuntos é enorme e complexa”.

José Roberto Sadek acredita que, no novo ministério, a cultura pode perder seu papel central (crédito: Marcelo Abud)

 

Sobre o fato de a discussão em torno da cultura estar atualmente muito associada à Lei Rouanet, Sadek ressalta que essa legislação corresponde a menos de meio por cento dos incentivos fiscais dados pela União ao setor e que ele abrange muitos outros aspectos. “Você tem desde questões associadas ao patrimônio histórico até uma discussão sobre como fomentar a produção de game”, destaca.

Créditos:
As músicas utilizadas na edição do podcast, por ordem de entrada, são: “Rapaz folgado” (Noel Rosa), com Martinho da Vila e Mart’Nalia; “Comida” (Arnaldo Antunes/Marcelo Fromer/Sérgio Britto), com Titãs; “A cara do Brasil” (Celso Viáfora e Vicente Barreto); “Resistência cultural” (Marcelo D2), com Marcelo D2 e Gilberto Gil; “Devastador” (Marcelo Abud e Reynaldo Bessa), com Reynaldo Bessa e Rita Benneditto; “Desaforos” (Chico Buarque); e “Capitu” (Luiz Tatit), com Ná Ozzetti. A trilha de fundo é de Reynaldo Bessa.

Crédito da imagem principal: Elisabete Alves/MinC

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