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Em um passado recente, as principais ameaças à democracia eram os golpes de estado e as ditaduras. Hoje, as coisas já não funcionam mais assim. Atualmente os regimes democráticos se corroem internamente, a partir de uma alteração no funcionamento do sistema político que mantém a fachada da democracia mas tira do cidadão, por meios indiretos, a possibilidade de escolher entre projetos diferentes. Essa é a avaliação feita pelo doutor em ciência política pela USP e coordenador do mestrado em gestão e políticas públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), Cláudio Gonçalves Couto.

“Um dos riscos que toda democracia sofre não é só virar um regime autoritário, mas seu mau funcionamento constante, uma corrosão oligárquica”, avalia Couto. O especialista argumenta que a captura do processo de representação por grupos de interesse pode acabar por minar o funcionamento do jogo democrático, levando a um processo de concentração de poder e abrindo espaço para governos autocráticos.

Na entrevista, o pesquisador oferece uma definição clássica de democracia, comenta os efeitos da polarização no processo político e explica o que é autocracia.

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