O deslocamento andando da casa para a escola é a realidade da maioria das crianças ouvidas em dez escolas do município de São Paulo (SP). A informação faz parte da tese de doutorado da administradora Sandra Costa de Oliveira, pela Universidade de São Paulo (USP), intitulada “Promoção da saúde, mobilidade sustentável e cidadã: casos de escolares do município de São Paulo”. A pesquisa colheu relatos de alunos do ensino fundamental na faixa etária de 11 a 14 anos.

As escolas foram classificadas em maior exclusão, menor exclusão e maior inclusão, de acordo com a distância geográfica e benefícios do seu entorno para os estudantes. No índice de maior exclusão, 67,14% das crianças vão a pé para escola, seguidos de 77,95% no índice de menor exclusão e 62,64% nas instituições de maior inclusão.

“A locomoção a pé, a priori, é positivo em diversos aspectos, incluindo a saúde. Contudo, muitas crianças moram longe da escola e precisam percorrer um longo trajeto. Assim, elas relatam chegar à instituição de ensino cansadas, o que prejudica seu desempenho escolar”, afirma a pesquisadora. Para completar, o percurso extenso também deixa o aluno mais vulnerável a situações de violência na rua.

Entre as crianças que fazem o deslocamento caminhando, uma curiosidade foi a diversidade de relatos que apontavam o pai como adulto que acompanhava o percurso, enquanto a mãe trabalhava.

Acesso à informação

Além do percurso a pé, os menores relataram utilizar van escolares públicas ou particulares e bicicleta como transporte. “No caso de quem se deslocava pedalando, as crianças em áreas de maior exclusão se mostravam mais informadas, por exemplo, sobre a diferença entre ciclovia e ciclofaixa do que os estudantes de áreas centrais”, revela. “A hipótese é que, como esse aluno enfrenta mais perigos, ele presta mais atenção nos caminhos que garantem um percurso seguro”, analisa.

Os estudantes que apostam na locomoção por bicicleta ainda informaram andar pela calçada e encontrar muitos obstáculos, como entulhos e lixos, o que comprometeria a sua segurança.

Já em relação ao lazer, os entrevistados se mostraram divididos quando a pergunta era sobre o deslocamento para outros bairros da cidade aos finais de semana. “A metade que disse permanecer no seu bairro justificou que os pais estavam cansados por trabalharem a semana inteira fora de casa ou porque não havia dinheiro para a locomoção”, aponta.

De acordo com Souza, a garantia de um trajeto seguro para os escolares passa, impreterivelmente, por políticas públicas. “É fundamental garantir o acesso ao passe escolar e as matrículas em locais mais próximos da residência do aluno, em um raio máximo de um quilômetro”, completa.

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