Os candidatos que prestarão o vestibular da Universidade de São Paulo (USP) em 2020 podem se preparar ouvindo uma seleção de podcasts sobre as nove leituras obrigatórios solicitadas. São elas “Poemas Escolhidos, de Gregório de Matos; “Quincas Borba”, de Machado de Assis; “Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade; “Angústia”, de Graciliano Ramos;  “A Relíquia”,de Eça de Queirós; “Mayombe”, de Pepetela; “Sagarana”, de Guimarães Rosa; “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo e “Minha Vida de Menina”, de Helena Morley.

As publicações integram o conteúdo da prova de português e representam diferentes períodos das literaturas brasileira, portuguesa e africana. Cada áudio, analisa as principais características literárias e históricas do livro em destaque.

“Poemas Escolhidos”, Gregório de Matos
A antologia de poemas de Gregório de Matos foi elaborada nos anos 1970 pelo professor de literatura brasileira da USP, José Miguel Wisnik. Ele é o entrevistado deste podcast. O poeta Gregório de Matos marcou a poesia feita no Brasil no século 17 e se tornou conhecido pela poesia satírica, que lhe conferiu o apelido de “Boca do Inferno”.

“Quincas Borba”, Machado de Assis
A professora de literatura do Cursinho da Escola Politécnica da USP, Eva Albuquerque, apresenta os aspectos mais relevantes da obra para os estudantes. Pessimismo, humor e ironia servem, na narrativa, para criar uma crônica do cotidiano das pessoas da alta sociedade.

Claro Enigma, Carlos Drummond de Andrade
O livro foi escrito no período pós-segunda guerra, evento que sepultou as promessas de desenvolvimento e as conquistas prometidas pela modernidade. Assim, “Claro Enigma” traz um Drummond desiludido e cansado de seu tempo. De acordo com o professor de literatura brasileira da USP, Alcides Villaça, a obra também apresenta um desligamento da fase modernista do autor.

“A Relíquia”, Eça de Queirós
A obra apresenta situações que promovem um diálogo entre verdade e fantasia, mostrando como essa primeira pode ser construída. O autor se dedica a uma literatura realista e, ao mesmo tempo, repleta de invenções. Para falar sobre o livro, foi entrevistado o professor do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP, Helder Garmes.

“Mayombe”, Pepetela
Pepetela é o pseudônimo do angolano Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos. A obra foi escrita entre 1970 e 1971, quando o autor participava da guerra pela libertação de seu país. Ela mergulha na organização dos combatentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contra o domínio português. Na trama, os guerrilheiros lutam no interior da densa floresta tropical de Mayombe e confrontam-se não apenas com as tropas coloniais, mas com as diferenças culturais e sociais existentes entre os combatentes, que buscam superá-las por uma Angola unificada e livre.

“Minha Vida de Menina”, Helena Morley
Publicado pela primeira vez em 1942, a obra traça um retrato da vida simples na cidade mineira de Diamantina, no período que vai de 1893 a 1895. A autora é Helena Morley, pseudônimo de Alice Dayrell Caldeira Brant. Em tom coloquial, “Minha vida de menina” é a reprodução do diário da própria autora. Como registro da época, o livro apresenta a oposição entre protestantismo e catolicismo, trata da estagnação econômica provocada pelo declínio da mineração e do surgimento de inúmeras modalidades de trabalho entre a escravidão e o regime salarial.

“Sagarana”, João Guimarães Rosa
Publicada em 1946, a obra já tratava de um sertão diferente daquele apresentado em outras literaturas regionalistas. “Rosa tem uma visão da região como o lugar dominado pelas armas, pela lei do mais forte, a traição e a busca da vingança. É um lugar onde a justiça e as instituições não chegaram”, afirma o professor da USP, Luiz Dagobert de Aguirra Roncari. Em cada um dos nove contos de “Sagarana”, o autor experimenta um estilo: das fábulas medievais à literatura mais moderna de seu tempo.

“Angústia”, Graciliano Ramos
O livro foi publicado no ano de 1936, época em que o escritor estava preso pelo governo Vargas. Apesar de o personagem central, Luís Silva, ser apresentado em sua jornada existencial, na obra, o romance social também está presente de maneira importante. “Ela é lançada em um ambiente autoritário, repressor, no momento de ascensão do nazifascismo. Esse enquadramento de época é algo a ser levando em conta”, explica o professor do Programa de Pós-Graduação e Estudos Comparados de Literatura e de Língua Portuguesa, da FFLCH/USP, Thiago Mio Salla.

 “O Cortiço”, Aluísio Azevedo
Um dos romances brasileiros mais importantes da literatura naturalista. Os naturalistas eram deterministas: acreditavam que a vida das pessoas era determinada por fatores biológicos, sociais e históricos. É o que acontece também na obra analisada. O lugar reúne uma aglomeração de brancos, negros, lavadeiras, malandros, assassinos, vadios e benzedeiras. Diante dessa mistura de pessoas, todos são apresentados como animais, atrás de comida e sexo.

Crédito da imagem: Gerasimov174 – iStock

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