Tablets, smartphones, wi-fi, hiperlinks, virtualidade, gamificação, labs, makers… As nomenclaturas, metodologias, novidades e tendências são muitas, mas o quanto precisamos de tudo isso na educação? Até que ponto a adoção de novas metodologias de ensino pode superar as dificuldades das escolas em relação à estrutura adequada ao perfil da atual geração de estudantes? Mudar a configuração da sala de aula, adotar práticas mais informais de ensino, realmente, reflete em uma potencialização dos métodos tradicionais de educação?

De fato, é urgente pensar em estratégias que engajem os estudantes nativos digitais. O aluno que hoje ocupa as carteiras da escola já entra na sala de aula portando um dispositivo móvel, possuidor de uma vivência tecnológica robusta, com muitas ideias e um turbilhão de informações, contudo, pouca maturidade e quase nenhuma preparação para lidar com tudo isso. Despeja então toda sua bagagem no professor, na ânsia de adequar o seu mundo ao conteúdo pedagógico; nem sempre preparado para o inverso.

O problema é que algumas metodologias, por carregarem nomenclaturas específicas, ficam obscuras para os professores que, por vezes, ignoram que eles próprios já levam essas inovações para suas aulas. E como isso acontece? De maneira natural. Conforme a sociedade vai colocando novas opções de recursos, involuntariamente, a população adota-os no dia a dia, em casa, nos momentos de lazer e no trabalho também.

Uma das tendências é o Blended-Learning, também conhecido como B-Learning ou Ensino Híbrido (em português), que é a “mistura” de atividades presenciais com atividades a distância. O B-Learning permite ao professor ampliar sua sala de aula, oportunizando uma aprendizagem colaborativa. Não se trata de abandonar espaços, mas unificá-los.

Podemos citar também a Flipped Classroom, ou Sala de Aula Invertida, cujo intuito é inverter a “lógica” da sala permitindo que os alunos tenham contato com o conteúdo antes da aula presencial; pode ser através de artigos, vídeos, games, objetos digitais diversos. Desta forma, o aluno já adquire conhecimento previamente sobre o conteúdo/assunto e utiliza o espaço físico da sala de aula para tirar as dúvidas e fixar o que aprendeu, tendo apoio dos colegas e dos professores, que passam a ser mediadores, facilitadores na construção do conhecimento.

Neste universo aberto e colaborativo, encontramos alguns recursos disponibilizados online de forma gratuita, como os REAs (Recursos Educacionais Abertos), materiais de ensino que estão sob domínio público, na internet. Os REAs atuam na perspectiva de que o conteúdo precisa estar disponível e ser distribuído democraticamente para colaborar com o desenvolvimento das pessoas.

Todas essas novas metodologias e tendências atuam sob a perspectiva da chamada “aprendizagem informal”, que é caracterizada pela não necessidade de estarmos em um local específico e físico para aprendermos. Podemos aprender da forma que quisermos e no nosso ritmo. Claro que este formato de aprendizagem ainda não é muito empregado nas escolas brasileiras, pois implica em dar ao aluno liberdade para escolher o que ele quer aprender, e ainda não estamos preparados para isso. Mas é importante ler, conhecer, aprender e tentar aplicar para medir resultados.

Sugestão: Edutopia – projeto desenvolvido na California/EUA, idealizado pela George Lucas Educational Foundation (GLEF). É baseado em métodos atuais e inovadores, que englobam aprendizado emocional, B-Learning, aprendizado com jogos, integração com a tecnologia, e outros. No canal, são divulgadas várias experiências bem-sucedidas de escolas que já atuam com a Edutopia.

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