O mês de agosto terminou com descobertas muito interessantes e inspiradoras em mídia e educação devido a uma viagem de trabalho – Encontro Anual de Coordenadores de Programa Jornal e Educação (PJE) –, quando tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o estado do Ceará, lugar que deveria ser visitado por todos os que acreditam em novas formas de fazer educação.

Precisei viajar para Fortaleza (é longe, bem longe, considerando que moro no Paraná) para conhecer projetos bem-sucedidos que envolvem crianças e adolescentes na produção de comunicação (oral e escrita); e posso afirmar que não vejo, aqui na Região Sul, ações semelhantes tão efetivas como as que conheci lá.
 
Uma dessas ações é o “Radioescolas de Horizonte – Juventude na Comunicação”, que faz parte do projeto “Eu sou cidadão – Amigos da leitura”, realizado pela Secretaria Municipal de Educação do Município de Horizonte, abrangendo também os distritos.
 
Ali, jovens estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental (com idades entre 10 e 16 anos) utilizam o rádio para discutir temas importantes para a comunidade local e expor as atividades que estão acontecendo no ambiente escolar. Os programas acontecem dentro das escolas, na hora do recreio, e também fora delas, na emissora Horizonte FM 104,9, com transmissão para toda a comunidade.
 
A jornalista Carol Costa foi contratada pela própria Secretaria de Educação exclusivamente para trabalhar no projeto. Quando perguntei “qual é a sua função?”, a resposta dela me surpreendeu demais: “Sou a educomunicadora do projeto”, disse com firmeza e uma indagação de que esta era uma resposta óbvia. Ela não sabia, ou não sabe, que ali, em um estado nem sempre acreditado, existir uma educomunicadora trabalhando em um setor da administração pública é algo incrível e maravilhoso. Aqui onde moro, quando falo em educomunicação, poucos reconhecem a “palavra”.
 
Carol é responsável por acompanhar a produção dos roteiros dos programas que são transmitidos, mas esclarece que o seu papel é orientar e dar ferramentas para que os jovens possam, sozinhos, executar as tarefas. “É importante que eles percebam que conseguem fazer, exerçam a sua autonomia”, ressaltou com convicção.
 
Esse projeto conquistou a todos os coordenadores de PJE que estavam no encontro, porque ele nos foi apresentado pelos próprios jovens. Geferson Rafael, de 16 anos, Daniella Eduarda, com 13, Ruthynelle Gouvêa, de 14 anos e Ruth Maria Inácio Câmara, de 12, deram um show de desenvoltura e expressão. Eles souberam nos contar, de uma maneira gentil, bem-humorada e muito séria, o que fazem, como se sentem à frente dos programas e qual a sua importância para a comunidade.
 
Um exemplo é a fala de Ruthynelle. A garota se sente “útil” ao município fazendo parte do projeto, porque acredita que está contribuindo para o crescimento de sua cidade. “Eu me sinto uma pessoa muito alegre por ter uma informação e poder ajudar aquela pessoa que não sabe o que fazer com isso”, completou ela.
 
Eu vi nesses jovens um compromisso com a sociedade e uma autoestima indescritível. Esse tipo de atitude que está sendo plantada em cada um dos meninos e meninas que participam do Radioescolas se refletirá na sociedade quando eles crescerem e começarem a exercer a função de eleitores, de motoristas, de profissionais, porque já sabem que a informação é o que guia os cidadãos.
 
Para conhecer melhor o projeto, acompanhe o blog horizontefm104.blogspot.com, nas terças e quintas-feiras, das 15h às 16h. Os programas são transmitidos ao vivo pela internet. Acesse também: juventudenacomunicacao.wordpress.com e www.facebook.com/juventudenacomunicacao.
 

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