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O filme “Espero tua (re)volta” (Your Turn) dá voz a três ex-secundaristas, com visões diferentes, que participaram ativamente das manifestações de 2013 a 2015. Ainda sem data de estreia no Brasil, o material retrata desde o movimento pelo passe livre até as ocupações das escolas de São Paulo.

Com direção de Eliza Capai, o longa sobre essa recente história das lutas estudantis participou em fevereiro de 2019 do Festival de Berlim e ganhou dois prêmios. “Estou muito feliz porque conquistamos o Prêmio da Anistia e o Prêmio da Paz, que considero um lembrete de como essa desobediência civil, muitas vezes, é para a construção de sociedades mais pacíficas”, celebra a documentarista, entrevistada pelo Instituto NET Claro Embratel neste podcast.

A diretora do filme, Eliza Capai (à esquerda), e uma das narradoras do documentário, Marcela Jesus, no Festival de Berlim (crédito: divulgação)

 

A estratégia de Capai foi promover uma disputa da narrativa entre esses jovens. Na obra, Marcela Jesus, Nayara de Souza e Lucas Koka Penteado representam importantes pautas da sociedade, como feminismo, lutas LGBTQ+, e antirracismo. “Chama atenção, por exemplo, a forma que o Koka trata as manifestações de 2013 sobre o passe livre. Como representante negro e da periferia, ele fala da cultura, do lazer: parques e espaços que, apesar de públicos, estão disponíveis na verdade para quem tem acesso às regiões centrais da cidade.”

Em junho de 2013, o país viveu marchas gigantescas, em que milhões de pessoas saíram às ruas contra o aumento das passagens de ônibus. Logo, os centavos a mais se transformaram em muitas outras reivindicações e desembocaram em lutas pela manutenção e conquista de direitos em direção a uma sociedade mais inclusiva. “A educação pública de qualidade, o roubo da merenda das escolas públicas são pautas importantes que estão no filme”, cita a diretora.

Em outubro de 2015, os secundaristas de São Paulo se organizaram contra cortes propostos no orçamento da rede estadual de ensino. Em novembro, mais de 200 escolas estavam ocupadas pela defesa de um ensino público de qualidade. O tratamento dado por parte da mídia – contrária à mobilização – em contraponto com o olhar de parcela da população – que viu a atitude dos jovens com esperança e o início de uma grande transformação – são apresentados em “Espero tua (re)volta” por meio de uma minuciosa pesquisa em imagens de arquivo.

Um dos desafios da diretora foi tratar o tema de forma imparcial, mostrando visões diferentes sobre os acontecimentos e, ao mesmo tempo, buscando pistas que possam levar o público a entender como, mesmo diante de movimentos populares que lutam por mais inclusão e democracia, o Brasil elegeu um presidente que, entre suas promessas de campanha, já indicava a criminalização dessas iniciativas.

“Um dos sonhos que tenho é que o filme seja assistido por aqueles que criminalizam o movimento estudantil. Na página do Facebook tem comentários dizendo que se trata de um monte de vândalos. Gostaria que essas pessoas assistissem. Não para concordar, mas para que tenham oportunidade de pensar de forma mais profunda o que são essas lutas sociais e porque há a intenção de se criminalizá-las”, conclui Eliza Capai.

Link:
Acompanhe as novidades sobre “Espero tua (re)volta”, que vai estrear em breve no canal Globonews e nas salas de cinema brasileiras, na página do filme no Facebook.

Créditos:
As músicas utilizadas no podcast são da trilha original de “Espero tua (re)volta”. “Mandume” é interpretada por Emicida e composta por Raphao Alafin, Amiri, Drika Barbosa, Rico Dalasam, Leandro Roque, De Oliveira, MuzzikePhill Terceiro e Rafael Tudescocriadas. As músicas instrumentais são assinadas pela banda Bixiga 70.

Crédito das imagens: divulgação

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