Os podcasts são áudios com linguagem radiofônica que são disponibilizados na internet. Eles podem ser baixados ou ouvidos online, via plataformas de streaming. Apesar de terem se tornado populares nos últimos tempos, seu início se deu em 2004. Na ocasião, esses arquivos poderiam ser carregados nos aparelhos que tocavam MP3 e nos iPods.

“Daí o nome podcast: pod, de iPod e cast de broadcast, palavra que significa transmissão, em inglês”, explica o jornalista, educomunicador e professor do Instituto Singularidades, Douglas Calixto.

A ferramenta pode ser usada como recursos educativos em sala de aula. Entre seus benefícios, estão a facilidade e o baixo custo de produção. Basta um celular com gravador, internet e software gratuito de edição. A seguir, confira 10  dicas para usar podcasts com as turmas.

Construção é colaborativa

Na prática, para produzir um podcast, os alunos precisam pesquisar, discutir, roteirizar, gravar e editar um programa. “Isso exige trabalho conjunto, conhecimento sobre a matéria e, sobretudo, reconhecer os estudantes como protagonistas do processo de ensino-aprendizagem”, afirma Calixto. “Trata-se de uma abordagem pedagógica que aproveita as potencialidades dos jovens para construir conhecimento”, complementa.

Escolha o tipo de podcast

Grande parte dos podcasts são estruturados em forma de debate ou discussões, mas também existem outros formatos. “É possível fazer entrevistas, boletins de notícias ou mesmo dramatizações (radioteatro)”, lista o podcaster do Instituto Claro e professor de criação e produção de áudio da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Marcelo Abud. Para isso, uma dica é buscar podcasts na internet como referência para o roteiro ou mesmo material didático para a sala de aula.

Projeto deve ser aliado com o objetivo pedagógico

A linguagem radiofônica abre diversas possibilidades para adequar os conteúdos curriculares em forma de programas de rádio. “Todas as disciplinas podem se valer dela. O necessário é uma intencionalidade educativa, criativa e que considere os benefícios do rádio-escolar”, ressalta Calixto.

Interdisciplinaridade  é possível

O podcast pode ser usado em qualquer disciplina e permite que professores de diferentes matérias trabalhem em conjunto. “A língua portuguesa pode colaborar com a elaboração do roteiro ou adaptação de uma mídia escrita para a oralidade”, sugere Abud.

“Em história, é possível encontrar elementos para contextualizar o assunto abordado, a partir de uma pesquisa que mostre o que aconteceu antes e porque chegamos onde estamos”, completa o podcaster. “Já nas aulas de literatura, é possível apostar em audionovelas, interpretando personagens e criando histórias em forma de áudio”, complementa Calixto.

Planejamento é feito com os alunos

Segundo Abud, o planejamento deve conter a definição do tema, tipo de podcast, cronograma, roteiro e especificar as tarefas que cada aluno irá realizar. “Por exemplo, quem fará a reportagem, a pesquisa, a apresentação, a edição e a escolha das músicas. Ter em mente o que será abordado e de que forma. O estudante que não quiser falar também pode contribuir realizando outras tarefas de produção”, pontua.

Ainda que o objetivo seja o improviso, o roteiro deve ser preparado. “Não precisa ser, necessariamente, escrito. Mas ele ajuda a ter uma ideia de como será o programa.”

Roteiro deve ser coeso

De acordo com Abud, um bom roteiro deve ter começo, meio e fim. “Inicie com elementos que segurem a atenção do ouvinte. Você pode, por exemplo, apresentar trechos do que será dito ao longo do episódio, extraídos na edição”, recomenda. “Também pode apresentar oralmente o que será discutido ou os destaques que virão”, acrescenta.

Já a conclusão deve fechar o tema discutido, no caso do debate, e convidar o ouvinte a se aprofundar no tema. “Pode sugerir temas, livros e filmes sobre o assunto”, ensina.

Crie o seu próprio roteiro

Calixto lembra que o roteiro deve ser orientado pela proposta pedagógica. “Ou seja, não adianta buscar um modelo profissional na internet”, alerta.

Música é conteúdo

O podcast pode conter vinheta, trilha e efeitos sonoras. “As músicas podem ser pesquisadas pelos alunos e escolhidas de acordo com o tema, casadas com o conteúdo. Não é só escolher pelo gosto ou sonoridade. O estudante fará a função de produtor musical”, explica Abud.

Já a trilha sonora ajuda nos momentos nos quais há dramatização. “Há muitos sites que disponibilizam efeitos sonoros para serem baixados na internet. Indico o Free Play Music, que possui custo zero para trabalhos acadêmicos sem fins lucrativos”, recomenda.

Equipamentos necessários

O celular pode ser utilizado para gravar podcasts ou entrevistas. Para isso, basta usar o gravador de voz do aparelho. Para editar, é necessário um computador. Use o programa Audacity, que é gratuito e oferece efeitos, mixagem, entre outros recursos. Se a intenção for gravar e não editar, pode se utilizar o aplicativo para aparelhos móveis Anchor. “Se, por acaso, a escola tiver um pouco de recursos, outra opção é comprar uma mesa de som simples, com quatro canais, para ligar microfone e fone de ouvido”, diz Abud.

Dedique-se à edição

Mesmo sendo possível gravar no celular e compartilhar o material bruto, o professor da Faap recomenda editar os áudios como parte do trabalho pedagógico. “A edição é um trabalho pensado, que necessita de pensamento lógico e crítico por parte dos estudantes”, justifica.

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Crédito da imagem: arinahabich – iStock

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