O professor  de geografia Fabio Augusto em atividade com os
alunos (Crédito: acervo pessoal)
 
A geografia é o carro-chefe do projeto interdisciplinar “A construção da identidade no espaço escolar”, realizado na EMEF Profª Marili Dias, de São Paulo (SP). Por meio de atividades culturais – como oficinas de rap, saraus e teatros – os alunos são convidados a discutir marginalização e sua relação com a escola e a comunidade.
 
“A questão da identidade sempre esteve presente nos projetos de geografia, pois nossos alunos não se identificavam com a escola e o bairro, dado o isolamento que estamos submetidos e a total carência de equipamentos públicos básicos do entorno, sobretudo áreas de lazer. A noção que imperava entre eles era mesmo de abandono e marginalização”, conta o professor de geografia e professor orientador de educação integral da escola, Fabio Augusto Machado.
 
O primeiro passo do projeto em 2014, visou evidenciar as potencialidades artísticas e culturais do local, resgatando, assim, a autoestima dos alunos e a sua noção de pertencimento. “Percebemos que o aluno ao conhecer e reconhecer o valor da produção cultural que ele consome e produz em seu espaço de vivência, sua autoimagem de espectador evolui para a de ator social e até mesmo de protagonista”, complementa Machado. 
 
Identidade compartilhada
Segundo o professor, o protagonismo da geografia como instrumento para discutir a identidade do aluno acontece por conta de seu caráter interdisciplinar. “A geografia é uma disciplina integradora. Seu arcabouço teórico nos permite pensar o espaço criticamente, como um processo histórico de formação, marcado por lutas sociais. Quando discutimos e contextualizamos a realidade na qual nossos alunos estão inseridos, problematizamos por meio dos referencias teóricos geográficos aquilo que nos limita e o que nos marginaliza”, destaca. 
 
A identidade, por sua vez, estaria ligada a uma ideia de “marca” comum a todos os alunos. “Essa ‘marca’ é algo que nos particulariza, que nos torna positivamente únicos. Queremos mostrar que a nossa identidade não é apenas do consumo ou da reprodução, mas acima de tudo da produção. E produção de qualidade”, defende.
 
"Bullying é um dos mais graves problemas, sobretudo em escolas que os
alunos têm autoestima baixa", acredita professor (Crédito: acervo pessoal)
  
De oprimido a opressor
Durante as discussões sobre o que mudariam no espaço escolar, os alunos apontaram o bullying como um dos principais problemas da escola. A conversa virou o projeto de filme “Um grito de socorro”, já roteirizado e que será gravado pelos estudantes. 
 
“Penso que o bullying é um dos mais graves problemas que enfrentamos, sobretudo em escolas nas quais os alunos têm uma autoestima baixa, como na nossa. Acredito que isso ocorre, porque o caminho mais curto e mais fácil para sair da condição de oprimido é se tornar opressor”, reflete. “Então, temos que discutir a temática da construção da identidade: entender que o destino de um afeta o destino do outro, pois vivemos em sociedade e que coletivamente e solidariamente somos mais fortes para romper as estruturas excludentes que nos aprisionam”, assinala o professor.
 
Além do filme “Um grito de socorro”, os próximos passos do projeto visam discutir o papel da comunidade no fortalecimento da escola e a construção de um grêmio estudantil. Para saber mais sobre as atividades da área de geografia desenvolvidas EMEF Prof. Marili Dias, visite o blog do projeto
 
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