As pinturas, desenhos e ilustrações de Anita Malfatti deram uma preciosa contribuição ao modernismo brasileiro. Nascida em 2 de dezembro de 1889 e falecida em 6 de novembro de 1964, a pintora possuía uma atrofia no braço e na mão direita, aprendendo a pintar com a mão esquerda.

A morte de seu pai obrigou sua mãe, a americana Eleonora Elizabeth Krug, a lecionar idiomas e artes – aulas das quais Anita participava. Entre 1910 e 1913, ela morou na Alemanha, onde teve contato com a vanguardas modernistas do país, principalmente Vincent Van Gogh.

Segundo a professora de educação básica e pesquisadora da obra de Anita Malfatti, Eliane Honorata da Silva, o pintor alemão influenciou profundamente a produção da artista.

“Nas obras da primeira fase de Anita, de 1910 a 1914, destaca-se o aspecto expressionista e o colorido vibrante de grande parte dos retratos”, pontua. “Já suas pinturas produzidas nos Estados Unidos, entre os anos de 1915 e 1916, são interpretações de Van Gogh, criadas no intuito de desenvolver uma linguagem modernista”.

Quadros que ilustram essas duas fases expressionistas da pintora, e que podem ser apresentados aos alunos, são “O homem amarelo” e “A mulher de cabelos verdes”.

“A afirmação de que uma obra é expressionista, equivale a dizer que ela se encaixa no estilo dos pintores alemães do início do século XX, como os do grupo Die Brücke, que se valiam das cores contrastantes e das distorções da forma para expressar a angústia e os tormentos que afligiam a sociedade europeia naquele período”, descreve.

Fase naturalista

O principal tema da Anita Malfatti foi retrato. “Mas ela também valorizava a paisagem”, lembra Silva.

Em 1917, sua segunda exposição no Brasil foi duramente criticada por Monteiro Lobato, principal crítico de São Paulo da época. A avaliação foi publicada no artigo “A propósito da exposição Malfatti”, no jornal O Estado de S.Paulo, em 20 de dezembro de 1917.

Foi em 1922 que ela encontrou outros artistas que compartilhavam dos mesmos anseios e participou da Semana de Arte Moderna. Após esse período, ela partiu para estudar na França e iniciou uma nova fase de sua pintura.

“Na fase naturalista-nacionalista, percebemos o forte nacionalismo, o caráter primitivo da representação e a referência ao povo e à natureza do Brasil. Características que dominam o restante da produção da pintora”, conta Silva. Obras que ilustram esse período são “Tropical” e “Índia”.

Em seu trabalho como educadora artística, Silva afirma que prefere trabalhar o modernismo paulista e as pinturas de Malfatti com as séries finais do fundamental II. Para isso, indica o ensino por meio de projetos.

“Realizar uma atividade prática com alunos adolescentes depende muito das características dos envolvidos. O professor precisa conhecer bem sua turma. Mas acredito que projeto é a melhor maneira de trabalhar na prática conteúdos teóricos da pintura”, defende.

Em um de seus projetos, depois de contextualizar a história da moda em sintonia com as artes visuais, a professora apresenta a obra de Van Gogh e a de Malfatti. “Os alunos, então, fazem a customização de roupas tendo por base os dois artistas”, relata. “Há um envolvimento emocionante dos jovens com a ideia central e as pinturas estudadas, culminando em um desfile”, ressalta.

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Crédito da imagem: acervo IEB

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