Muitas escolas já iniciam suas atividades com modelos transformadores ou decidem abandonar o ensino tradicional de forma radical. Porém, para o professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em novas tecnologias e educação, José Manoel Moran, é possível mudar de forma progressiva e sem abandonar o que já se tem.

“Dá para fazer uma instituição de ensino menos centrada no docente como detentor do conhecimento e com a mesma equipe, trabalhando com projetos e aproveitando a individualidade dos alunos”, explicou ele na palestra “Como transformar uma escola convencional em uma escola inovadora”, durante a Bett Educar de 2019, que ocorreu hoje, 15 de maio, em São Paulo (SP).

“Pode ser que a escola tenha bons resultados, mas deseje um modelo que faça mais sentido aos estudantes. Com planejamento, em alguns anos, dá para conquistar novas estruturas de salas e alunos trabalhando mais juntos. Não é trivial, não é simples, mas possível”, ressalta.

Todos pela mudança

Para Moran, a mudança progressiva deve passar por experimentações. “Teste atividades e modelos em pequenos grupos, em pequenas turmas, e depois vá expandindo”, orienta.

Gestores, coordenadores pedagógicos e professores não devem temer errar. “Pode haver ruído de comunicação no início, é normal. Mas o erro não deve ser rejeitado. Erra-se para fazer diferente em um segundo momento”, decreta.

Planejamento da gestão também é imprescindível. “Se tiver um gestor com projeto, que tenha um plano, prazos e se cerque de uma boa equipe, a mudança é possível”, pontua. “O líder tem que querer aprender e testar. Não basta apenas contratar consultorias”, adverte.

O professor José Moran durante palestra na Bett Educar 2019: “Metodologias ativas precisam ser alinhadas com processo de transformação sistêmico” (crédito: Leonardo Valle)

 

Também é possível contar com a ajuda de educadores adeptos das metodologias ativas para sensibilizar profissionais que sejam tradicionais. “Eles podem ajudar os docentes mais resistentes compartilhando seus conhecimentos e resultados na prática”, recomenda.

E por falar em resultados, avaliações são necessárias para entender o impacto das mudanças. “É preciso analisar dados para saber onde estamos”, complementa.

Híbrido é tendência

Segundo o professor, escolas tradicionais que conseguem mudar para modelos inovadores o fazem ouvindo alunos e familiares. Além disso, também costumam ter equipes estáveis de gestores, coordenadores pedagógicos e docentes, com menor rotatividade. “Elas também aproveitam projetos saídos da comunidade e integram suas disciplinas em torno deles”, descreve.

Para completar, o pesquisador enxerga no ensino híbrido uma tendência. “Uma escola não se faz apenas com tecnologia. Ainda é necessária a presença humana do professor para acolher, mediar, avaliar, entre outros”, informa.

“Ensino híbrido e metodologias ativas, contudo, precisam ser alinhadas a um processo de transformação sistêmico. Caso contrário, não dará certo”, finaliza.

Veja mais:
No ensino híbrido, tecnologia é usada para uma aprendizagem personalizada
Metodologias ativas favorecem uso de tecnologias digitais na escola
Educar 2016: “Uma boa aula é onde o professor ouve mais e fala menos”

Crédito das imagens: Leonardo Valle

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