“Todas as pessoas do mundo comem arroz e feijão”? A pergunta, realizada por um aluno do 4° ano da escola municipal Padre José Narciso Vieira Ehremberg, em Campinas (SP), foi o estopim para a professora Gabriela Ferreira de Souza elaborar uma atividade diferente em sala de aula. Ela passou a procurar docentes de outros países para conectar suas turmas e discutir hábitos culturais.

“Atividades como estas são importantes para semear o sentimento de empatia e curiosidade nas crianças. Ao conhecer e conversar com pessoas de outras culturas, nós começamos a perceber a beleza da diversidade dos povos”, justifica. “A partir disso, damos importância aos problemas que vão além da nossa realidade. Por meio do reconhecimento e interação com pessoas diferentes, os alunos começam a se enxergar e atuar como cidadãos do mundo”, assinala.

“Olá” da Croácia

Gabriela lançou a proposta em um grupo na internet com professores de diversas partes do mundo. Obteve respostas positivas da Croácia e Bélgica. Contudo, por questão de agenda, a videochamada foi realizada apenas com os alunos croatas. “Eu e a professora croata Marica combinamos que os estudantes se apresentariam, comentariam algo que gostam de comer e depois, em conjunto, diriam quais os principais alimentos das três grandes refeições do dia”, relata.

Gabriela também enviou à Marica um formulário com questões sobre a cultura croata e pediu para que ela contasse curiosidades e informações importantes a respeito de seu país. O conteúdo se transformou em uma aula expositiva sobre a cultura croata, que ocorreu antes da videochamada. “Durante a atividade, os alunos ficaram fascinados com a possibilidade de falar e interagir com crianças do outro lado do planeta. Muitos deles não conheciam a Croácia e nunca tinham ouvido outra língua que não fosse o português”, revela.

Interdisciplinaridade é possível

Um desafio da atividade foi traduzir a fala das crianças em tempo real – ato que contou com a ajuda de outra professora e duas estagiárias da escola. “Contudo, os alunos estavam pacientes durante a atividade e muitos deles apresentaram facilidade na compreensão da língua inglesa”, pontua.

Para professores que desejam planejar um procedimento semelhante, Souza deixas as suas dicas. “Esclareça os objetivos e as possíveis dificuldades para as crianças. O diálogo aberto com os alunos é a chave para o sucesso da proposta”, garante. “Além disso, eu sou professora de ciências, mas, claramente, trabalhamos conceitos de geografia e inglês. Todas as disciplinas podem integrar atividades como esta”, recomenda.

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

wpDiscuz

Talvez Você Também Goste

Relatos da Comissão Nacional da Verdade ajudam a explicar ditadura militar em sala de aula

Alunos podem debater gravidade da tortura, violência do período e importância de conhecer o passado

Militarização e privatização marcaram a educação em 2019, analisa pesquisador

“Formação precária atingirá empregabilidade das novas gerações”, destaca Dermeval Saviani

7 perguntas sobre a metodologia ativa de aprendizagem “World Café”

Em cada rodada, alunos alternam por diferentes grupos e discutem perguntas relacionadas ao tema estudado

João Cabral de Melo Neto: escritor transformou geografia e problemas sociais do Nordeste em poesia

“Alunos podem refletir sobre olhar do autor para Rio Capibaribe e comunidades”, diz pesquisador

Receba NossasNovidades