Os alunos podem ajudar professores e pais a pensarem estratégias eficientes de educação para segurança e uso crítico da internet entre seus pares. Esse foi um dos assuntos tratados na mesa redonda “Educação para uso seguro e consciente da Internet”, promovida pela Safernet Brasil no Dia da internet Segura (11/2), em São Paulo (SP). “Uma Visão ‘adultocêntrica’ pode impedir o desenvolvimento de iniciativas eficientes entre os adolescentes”, justificou o diretor de educação da entidade, Rodrigo Nejm.

Os desafios causados pelas diferenças geracionais também foram lembrados pela analista sênior do time Google de relações governamentais e políticas públicas, Rafaela Nicolazzi. “Basta pensar o que dava para fazer com aquele nosso primeiro celular que ganhamos no passado e o que é possível fazer com os smartphones hoje. Os problemas evoluíram na mesma proporção. Assim, o processo de educação e entendimento que nós adultos temos podem ser diferentes dessa nova geração de nativos digitais”, ponderou.

Professores e pais, contudo, ainda são importantes nesse processo educacional, principalmente nos primeiros contatos dos menores com a grande rede. Segundo estimativa apresentada pelo membro da Safernet, aproximadamente 90% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos, no Brasil, estão conectados. “Nas pesquisas, a maioria afirma que aprendeu a usar a internet sozinha ou com um amigo. Do ponto de vista da segurança, habilidades críticas e cidadania, um par nem sempre tem condições de dar essa ajuda”, destacou Nejm.

O gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, tem a mesma opinião. “Para a tecnologia promover cidadania, é preciso, justamente, da educação”, disse. “Embora o jovem tenha técnica, nem sempre tem habilidades socioemocionais para lidar com as questões que vem com isso”, aponta a gerente de políticas públicas do Instagram na América Latina, Natália Paiva.

Segundo Nejm, outro desafio é alcançar os jovens e educadores que já estão conectados. “A tecnologia evolui muito e rapidamente. Então, é necessário oferecer formação continuada e atingir essas pessoas constantemente”, afirma.

Para ele, o Brasil possui bons marcos regulatórios sobre o tema, incluindo o Marco Civil da Internet, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei de Diretrizes de Base da Educação (LDB) e o Plano Nacional de Direitos Humanos. “O desafio é como a gente pode dar eficiência para esses materiais”, pontuou.

“Penso que devemos dizer menos o que poderia ser feito na rede para garantir segurança e consciência e mais ‘como’ fazer  que isso aconteça. Quanto mais prático e com boas instruções para educar o jovem a fazer escolhas, melhor”, aponta.

O medo, contudo, deve ser evitado em sala de aula. “É preciso reduzir a dicotomia proteção ou oportunidade e liberdade versus segurança. É possível ter os dois”, reforçou. “Também vale entender que risco e dano não são as mesmas coisas. E, muitas vez, nós focamos mais no risco do que no positivo, o que pode, de fato, dar condições para crianças e jovens fazerem um bom uso da rede. O pânico moral ainda nos inspira.”

Além do texto

Paiva destacou a necessidade de pensar a educação além dos guias informativos ou do “textão”. “É possível diversificar os formatos, incluindo inserir estratégias que usem as redes sociais”, assinalou. Para a especialista, a tendência do jovem se comparar com os pares por meio das postagens é um problema que deve ser analisado. “Vimos que temas como ‘meus amigos têm mais curtidas que eu’ era forte para eles. Assim, há a necessidade de ensinar que a rede social é uma perspectiva, uma parte, às vezes, pequena da história. E que a função delas é menos comparação e mais conexão”, alertou.

“Também é necessário dar ferramentas para o adolescente desconectar quando necessário, para fazer outras coisas. Assim como formas de construir redes e relações mais cordiais e menos negativas, estimular empatia e suporte mútuo”, complementou.

Sobre discursos de ódio e bullying, ela lembrou que os mais recorrentes na rede social são motivados por etnia, físico e orientação sexual. Contra o problema, a empresa anunciou uma nova forma de acompanhar o status de uma denúncia de usuário. A novidade, anunciada no evento, passa a funcionar em “Solicitações de Suporte”, dentro de “Configurações”. “Uma notificação que ficava perdida entre outras agora estará em uma janela específica, facilitando o monitoramento”, apresentou.

Veja mais:
Cidadania digital pode ser conteúdo transversal na escola
Dia da Internet Segura enfatiza importância do respeito e das responsabilidades individuais
Dia da Internet Segura: jovem pode fazer do online um ambiente melhor
Relatos de alunos inspiram HQ contra cyberbullying

Crédito da imagem: DMEPhotography – iStock

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

wpDiscuz

Talvez Você Também Goste

Aluno obeso precisa de cuidados especiais na educação física

Professor deve evitar atividades com sobrecarga articular e apostar em brincadeiras lúdicas para melhorar participação

Materiais didáticos gratuitos ajudam a trazer descobertas do Nobel de Física aos alunos

Conteúdo para professores aproximam inovações científicas modernas da realidade dos estudantes

Pensamento computacional pode ser estimulado em crianças e jovens com atividades sem internet

“Algoritmo segue sequência de passos, como a receita de um bolo”, diz Christian Brackmann

Receba NossasNovidades