A rapidez com que as tecnologias de informação e comunicação (TICs) evoluem podem assustar alguns professores. Contudo, para a pesquisadora da Universidade de Coimbra, em Portugal, sobre o uso das TICs na aprendizagem Sara Trindade, os docentes não necessitam de conhecimentos tecnológicos aprofundados na hora de aplicar inovações em sala de aula.

“O professor pode incorporar em suas aulas as habilidades trazidas pelos estudantes relacionadas aos aplicativos de mensagens, jogos e redes sociais. Eles construirão o caminho juntos”, explica. “Já o aluno se verá mais ativo na construção do conhecimento”, complementa.

Trindade foi uma das participantes da mesa-redonda “Fomentando a cultura da inovação: perspectivas para Educação e Tecnologias”, do Congresso Internacional de Educação e Tecnologias – Encontro de Pesquisadores em Educação a Distância (CIET/EnPED), realizado em 12 de julho de 2018, em São Carlos (SP).

Você falou do conceito de ecologia da aprendizagem. Do que ele trata?

Sara Dias Trindade: Ele fala da tecnologia digital ajudando a criar ambientes que se adaptem melhor aos interesses tanto dos alunos quanto dos professores. Ou seja, a tecnologia tem a característica de adaptar-se, de modificar e de ser flexível.

Essa característica de adaptabilidade da tecnologia permite um ensino personalizado?

Trindade: Exatamente. O conceito de ecologia da aprendizagem está relacionado a um ensino personalizado porque permite que ele seja adaptado para qualquer aluno ou professor, as duas partes importantes do processo. Mas os recursos tecnológicos também podem ser aplicados coletivamente na composição da aula. Então, estamos falando de um ensino que é simultaneamente individual e coletivo, mesmo que pareça paradoxal à primeira vista.

O que é necessário ao professor para que ele consiga aplicar essas tecnologias em sala de aula

Trindade: É necessário um pouco de habilidades em tecnologias de informação e comunicação, claro, mas não tanto assim. O professor tende a se sentir ultrapassado com a rapidez como as tecnologias digitais evoluem. Contudo, ele pode incorporar as habilidades trazidas pelos estudantes. Não raro, esse aluno possui mais habilidades sociais relacionadas à tecnologia e ele é ligado aos aplicativos de mensagens, jogos e redes sociais. Já o professor possui habilidades educativas. Juntos, professor e alunos vão construir seus caminhos.

Qual o benefício para o aluno participar de um ensino que considera suas habilidades sociais

Trindade: O aluno, que muitas vezes passa pela escola sem se sentir parte do processo, vê-se mais ativo na construção do conhecimento. Esse estudante, no seu dia a dia, sabe jogar, brincar e se divertir. Ou seja, é só ajudá-lo a focar essas potencialidades agora na educação. Além disso, o uso das tecnologias abre a possibilidade para que o aluno aprenda em outros lugares e ambientes que não somente na sala de aula.

Quais desafios você vislumbra no uso das tecnologias?

Trindade: O desafio é ter uma mente aberta. Ainda temos essa ideia de que seremos superados pela tecnologia, o que realmente não irá acontecer. Devemos apenas aproveitar seus benefícios e seguir em frente. Então, é um desafio positivo.

Além de pesquisar a área de formação de professores, você é docente de história. Como a tecnologia colabora especificamente com essa disciplina?

Trindade: Ela promove a capacidade de o aluno conseguir visualizar melhor os conteúdos e depois replicá-los de alguma forma. Ou seja, não apenas decorar um material para depois reproduzir o que aprendeu em uma prova. Quando sugerimos ao estudante que produza algo a partir do que lhe foi ensinado – como um jogo, por exemplo, abrimos novas possibilidades. Lembro de muitos discentes reproduzindo cenas históricas por meio do jogo Minecraft. Percebemos que eles conseguiam agarrar esse conteúdo e assimilá-los no seu contexto de vida.

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1 Comentário em "Professor não precisa de conhecimentos aprofundados em tecnologia para aplicar inovações"

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genezio de Oliveira

Parabéns pela matéria….

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