Sancionada em 2012 pela presidenta Dilma Roussef, a Lei nº 12.764 equiparou a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao deficiente e estabeleceu seu direito às políticas públicas de inclusão educacional. Desde então, a criança autista tem acesso garantido às escolas regulares e pode solicitar um tutor em sala de aula quando necessário.

Apesar dos avanços, contudo, a inclusão ainda é um desafio para pais, professores e gestores, seja devido ao pouco conhecimento sobre o tema ou pelo fato dos autistas possuírem dificuldades e aptidões diferentes entre si. “O TEA acomete crianças até os três anos de idade e é caracterizado pela dificuldade em se comunicar de forma funcional e criativa, tendência a comportamento repetitivo e alterações sensoriais”, descreve a doutora em Psicologia Experimental e co-fundadora do Grupo Gradual, Leila Bagaiolo. “Falamos em espectro autista, porque os sintomas podem ir do mais leve ao mais grave”, complementa.

Ensino prático
Incluir o autista na escola não significa adequá-lo a métodos existentes, mas aprimorar suas habilidades individuais. Muitos possuem facilidade em aprender de forma visual e podem ter interesses por assuntos específicos, por exemplo. “O Nicolas não consegue passar pelas fórmulas nas matérias de exatas, e mesmo tendo inglês fluente e com pronuncia invejável, tem dificuldade em fazer provas escritas”, conta a autora do blog “Meu Filho Era Autista”, Anita Brito.

Nicolas, 16 anos, e sua professora Leila, doutora em Psicologia Experimental
“Tudo é adaptado para as suas capacidades. Ao invés de fazer fórmulas em física, química ou biologia, os professores lhe dão experiências práticas e ele adora”, destaca.
Para Leila, a escola não pode ser a única responsável pela inclusão do aluno autista, devendo haver uma parceria entre gestores e pais.  Caberia a escola capacitar professores e investir em tecnologias e materiais adaptados que facilitem na aprendizagem.
Aos pais, o dever é o de orientar professores, ajudar no ensino individualizado e oferecer repertórios não adquiridos no ambiente escolar. Sessões de terapia comportamental ajudam o jovem autista a melhorar o contato visual, a atenção compartilhada, a imitação, o segmento de instruções, a comunicação e o brincar simbolicamente. “Infelizmente, o acompanhamento da criança autista tem impacto no orçamento familiar. Tanto que uma das tendências é capacitar os pais para eles agirem como tutores”, sugere a psicóloga.
Novos caminhos
Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico e mais intensivo for o tratamento, há maiores chances da criança autista se desenvolver e se tornar um adulto independente. “Um dos motivos é que o cérebro é bastante plástico até os três anos, e possui conexões ainda em desenvolvimento”, justifica a profissional.
Nicolas, hoje aos 16 anos, aguarda a conclusão do ensino médio para se especializar em fotografia – talento que já possui. “Todos são capazes de fazer algo, de alguma forma”, pontua Anita.

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