Conteúdos

– Panorama geral da filosofia de Platão
– O texto da alegoria da caverna

Objetivos

– Expor as principais características do idealismo platônico
– Apresentar e discutir com os alunos a alegoria da caverna, suas interpretações e sua importância na história do pensamento ocidental

1ª Etapa: Início de conversa - apresentação ampla do projeto platônico

Nessa primeira etapa do processo, é fundamental que o(a) docente estabeleça o caráter basilar que a filosofia platônica exerce na tradição filosófica ocidental, deixar claro que não é possível pensar a história das ideias sem recorrer ao sistema elaborado pelo filósofo ateniense. Obviamente, não será possível expor amplamente a filosofia de Platão em apenas uma aula, assim, o(a) professor(a) poderá partir do chamado dualismo ontológico e explicar a diferença fundante entre o mundo sensível e o mundo inteligível. Para tal, pode-se iniciar a exposição perguntando aos alunos o que significa dizer que algo é ideal. Após ouvir e considerar as respostas dos alunos, será preciso conduzir a reflexão dos estudantes por meio da palavra Ideia até alcançar o conceito de perfeição. A partir daí, será legítimo elencar que as Ideias, pertencentes ao Mundo Inteligível, carregam os atributos da perfeição, da eternidade e da imutabilidade, assim como no caso do Mundo Sensível, onde a percepção sensível é chave para o entendimento, as coisas são imperfeitas, finitas e transitórias. É importante deixar claro que o Mundo Sensível não pode existir sem o Mundo Inteligível, uma vez que é cópia deste, pois toda a realidade material, cada objeto corpóreo dado no mundo, só pode existir a partir de suas Ideias. Os objetos, no entanto, sucumbirão ao tempo e às intempéries da matéria; as Ideias, por seu turno, permanecerão eternas, perfeitas e imutáveis. Assim, na filosofia de Platão, a realidade está além daquilo que podemos ver, ouvir ou tocar, noutras palavras, está além dos nossos sentidos. A verdadeira realidade consiste nas Ideias e o conhecimento delas configura o conhecimento da Verdade. O(a) docente poderá fechar a aula lançando algumas perguntas para reflexão: Afinal, o que é a realidade? Nós podemos conhecê-la?

2ª Etapa: Leitura e exposição da alegoria da caverna

Nessa etapa, o(a) professor(a) iniciará a análise da alegoria da caverna, caberá ao(à) docente decidir se a leitura do texto será realizada de antemão pelos alunos ou em sala de aula. Recomendamos que o texto seja visitado previamente, como sondagem inicial, pelos alunos e, em sala, seja realizada a leitura analítica, parágrafo por parágrafo, de forma que o(a) professor(a) possa ir explicando os elementos simbólicos do texto conforme a leitura avança. Antes, porém, será fundamental que uma apresentação contextual do livro “A República” seja realizada, apresentando aos alunos a importância e a densidade da obra, tanto na produção de Platão como em toda a tradição filosófica. Para otimizar o tempo, não será possível ler o livro integralmente, assim, apenas o trecho em que a alegoria é exposta será percorrido. Conforme os elementos forem aparecendo, como a caverna, as sombras, as correntes, a fogueira, o sol, o(a) docente poderá ir questionando os alunos quanto à interpretação inicial desses aspectos, sobre quais são os significados de cada um desses fatores diante da teoria geral do idealismo platônico. Também é interessante que o(a) professor(a) incentive os alunos a desenhar em suas mentes o cenário descrito por Platão e que se imaginem exatamente na situação dos prisioneiros. Já nesse contexto, algumas provocações serão possíveis, como “o que nos garante que isso que chamamos de realidade é de fato a realidade?” O final da alegoria, a fuga do prisioneiro, o ofuscamento da visão pelo sol e o retorno à caverna com o final trágico, poderá ser utilizado como meio de instigar a reflexão das turmas, afinal, por que aquele que descobriu a verdade foi considerado louco pelos de mais? Qual o significado dessa metáfora? Recomendamos que o(a) professor(a) ainda não forneça todas as interpretações e chaves mais clássicas de leitura, é interessante que os alunos se esforcem para pensar no sentido da alegoria, tanto no plano conceitual da filosofia platônica como numa abordagem mais subjetiva. Entretanto, será interessante aludir à figura do rei filósofo, já que aquele que escapa das sombras da caverna e contempla a verdade terá, segundo Platão, condições de governar com a força do conhecimento e da verdade.

3ª Etapa: Atividade de interpretação e criação acerca da alegoria da caverna

Nessa terceira aula, o(a) professor(a) deverá organizar as turmas em grupos de até cinco pessoas, cada grupo deverá formular uma interpretação do texto, tendo em vista a realidade contemporânea. Não haverá discriminação de temas específicos, a ideia será pensar quais as cavernas que aprisionam nossa percepção e nosso conhecimento. Quais as formas de ultrapassar o conhecimento das ilusões e alcançar o conhecimento da verdade? Como a alegoria da caverna poderia ser utilizada para pensar o mundo em que vivemos? Uma vez estabelecidos esses direcionamentos, o(a) docente deverá motivar os grupos a formularem uma interpretação objetiva que poderá ser expressa da maneira como julgarem mais eficaz, podendo ser pelo formato clássico textual dissertativo, que será lido por um dos representantes do grupo, a produção de texto ficcional poderá ser aceita também, por meio de uma encenação em diálogo com no máximo cinco minutos, por representação iconográfica, desenho, sequência de quadrinhos, fotografia ou sequência de fotografias, ou ainda a musicalização do tema. A expressão metafórica do tema é fundamental para demandar tanto a reflexão profunda sobre as questões levantadas como também o esforço de criatividade, além do fato de que a produção em grupo suscitará intensos debates no contexto dos próprios grupos. Quanto a apresentação dos trabalhos, caberá ao(à) professor(a) organizar a programação. Recomendamos que ao final da segunda aula a ideia da atividade já seja apresentada, assim, nessa aula, os trabalhos sejam desenvolvidos e apresentados.

4ª Etapa: Análise e resolução de questões de vestibular

Uma vez realizado o trabalho de interpretação e reflexão acerca da alegoria, será fundamental que o(a) professor(a) execute a etapa do processo em que o plano prático seja ressaltado. É interessante salientar que a filosofia de Platão é um dos conteúdos mais cobrados pelos exames de processo seletivo, assim, a questão a seguir será analisada destacando os conhecimentos necessários para a interpretação e resolução.

(UEM – 2008) “Sócrates: Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. (…) Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna?”. (PLATÃO. A República [adaptação de Marcelo Perine]. São Paulo: Editora Scipione, 2002. p. 83).

Em relação ao célebre mito da caverna e às doutrinas que ele representa, assinale V para as questões corretas e F para as Falsas.

( ) No mito da caverna, Platão pretende descrever os primórdios da existência humana, relatando como eram a vida e a organização social dos homens no princípio de seu processo evolutivo, quando habitavam em cavernas.
( ) O mito da caverna faz referência ao contraste ser e parecer, isto é, realidade e aparência, que marca o pensamento filosófico desde sua origem e que é assumido por Platão em sua famosa teoria das Ideias.
( ) O mito da caverna simboliza o processo de emancipação espiritual que o exercício da filosofia é capaz de promover, libertando o indivíduo das sombras da ignorância e dos preconceitos.
( ) É uma característica essencial da filosofia de Platão a distinção entre mundo inteligível e mundo sensível; o primeiro ocupado pelas Ideias perfeitas, o segundo pelos objetos físicos, que participam daquelas Ideias ou são suas cópias imperfeitas.
( ) No mito da caverna, o prisioneiro que se liberta e contempla a realidade fora da caverna, devendo voltar à caverna para libertar seus companheiros, representa o filósofo que, na concepção platônica, conhecedor do Bem e da Verdade, é o mais apto a governar a cidade.

– A primeira proposição toma o texto como literal e propõe uma interpretação histórica da Caverna, como o próprio nome já indica, trata-se de uma alegoria, portanto a primeira afirmação só pode ser falsa;
– A segunda proposição alude ao caráter aparente da realidade material simbolizada pelos elementos da Caverna. Conforme já trabalhada nas primeiras aulas, a Caverna indica o mundo aparente do plano Sensível, portanto a segunda afirmação é verdadeira;
– A terceira proposição alude ao processo de ascensão que vai do mundo sensível/corpóreo ao mundo inteligível ideal. A saída da Caverna indica precisamente esse movimento, a afirmação, portanto, é verdadeira;
– A quarta proposição indica exatamente o conteúdo trabalhado nas primeiras aulas, isto é, a divisão entre Mundo Sensível e Mundo Inteligível. Como a alegoria da caverna intenciona metaforizar esse dualismo, a proposição também é verdadeira;
– A quinta proposição se refere a um estado da filosofia política de Platão, aludindo a noção de Rei Filósofo, uma vez que o filósofo é aquele que contempla a Verdade das Ideias, ou seja, aquele que sai da Caverna, a afirmação também pode ser entendida como verdadeira.

5ª Etapa: Análise dos resultados e conclusão conceitual do tema

Nessa última fase, o(a) professor(a) poderá expor algumas interpretações clássicas da alegoria, tal como as quatro apresentadas por Giovanni Reale e Dário Antisseri no primeiro volume de “História da Filosofia” e, também, afixar a relação entre a alegoria e a Teoria das Ideias, reforçando o caráter metafórico do texto e sua importância e significação diante da tradição filosófica. Será possível adentrar temas delicados, como a relação do idealismo platônico com a estrutura das grandes religiões, caberá ao(à) docente realizar a leitura do ambiente e da demanda em sala de aula para verificar a plausibilidade dessa operação. Nessa aula, será necessário que o(a) professor(a) abra a discussão para dirimir possíveis dúvidas dos alunos e, também, comente de forma aberta as apresentações e interpretações executadas pelos grupos, nesse contexto, o(a) próprio professor(a) deverá expor algumas chaves de interpretação contemporâneas da alegoria, tanto no plano mais exegético e conceitual, como numa forma mais didática e lúdica.

Materiais Relacionados

1) Recomenda-se que o(a) professor(a) detenha os conhecimentos básicos acerca da obra: Platão. A República. Livro VII. Martins Fontes. São Paulo. 2006.

2) Sugerimos como obra introdutória: ROUGUE, Chistophe. Compreender Platão. Vozes. Petrópolis. 2005.

3) Há também inúmeras animações disponíveis, as mais relevantes são: “Alegoria da Caverna de Platão”  e “A Alegoria da Caverna – Platão”, para uma análise mais contextualizada.

4) Também é possível trabalhar com duas produções cinematográficas: a mais clássica, o filme “Matrix” (1999), de Lilly e Lana Wachowski; e “O Show de Truman” (1998), de Peter Weir.

5) A questão de vestibular trabalhada foi extraída do Blog do Enem.

Arquivos anexados

  1. Plano de aula – A Alegoria da Caverna, de Platão

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