Conteúdos

Charges como leitura de mundo e como crítica política;
O mundo urbano representado nas charges de Angeli;

Objetivos

– Pensar a história e a cidade de São Paulo a partir do humor cotidiano das charges;

– Refletir sobre a presença das charges na imprensa brasileira;

– Conhecer a vida de Angeli e de outros chargistas que são cronistas da cidade;

– Produzir textos a partir da leitura de imagens;

Caro professor, os links para os conteúdos sugeridos neste plano estão disponíveis na aba “Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais”. Na aba "Material de Apoio" você encontra este plano de aula disponível para download.

1ª Etapa: Apresentação do filme

O filme pode ser exibido sem necessidade de pesquisas prévias, apenas com alguns dados biográficos do entrevistado, além da informação sobre a diretora do curta metragem, Beth Formaggini.



Depois da exibição, várias disciplinas podem aproveitar a experiência de forma separada ou interligada.

2ª Etapa: Debate

Após a apresentação das charges, elabore em sala, com os professores de História, Geografia e Sociologia, um debate entre os alunos, abordando a temática da conscientização política dos brasileiros e seu posicionamento em época eleitoral.

 

3ª Etapa: Produção Textual e Artística

Após o debate em sala, proponha com o professor de Língua Portuguesa, a produção de um texto que abarque as principais questões trabalhadas em sala. Isso pode ser desenvolvido em conjunto com o professor de Artes, com o desenvolvimento de caricaturas que podem ser de personagens famosos ou dos próprios alunos.

4ª Etapa: Início de Conversa

O documentário de 25 minutos entrevista o cartunista Arnaldo Angeli Filho, mais conhecido como Angeli. Ele nasceu em 31 de agosto de 1956, em São Paulo e morou boa parte da sua vida no bairro da Casa Verde. Seu olhar para a cidade não é de alguém da elite cultural, mas de quem vive na periferia e retrata a classe média urbana. Hoje em dia, é possível conhecer muitas manifestações artísticas realizadas por comunidades dos bairros periféricos, porém, quando Angeli começou a publicar suas tiras de humor, nos anos 1970, essa era uma atitude rara na imprensa brasileira.



O documentário alterna a entrevista com o cartunista, em um cenário simples, com painéis com várias de suas charges, quando ele pode ir explicando seu jeito de trabalhar, seus esboços, a história de alguns personagens mais famosos (como Rê Bordosa, os Skrotinhos, Meia Oito, entre outros).



É abordado o quanto a charge tem um caráter irreverente e transformador na sociedade, antecipando, muitas vezes, críticas que demoram um pouco para serem assimiladas e naturalizadas pela sociedade. Nesse aspecto, Angeli conta, como exemplo, que seus personagens “Os Skrotinhos” foram rejeitados no momento em que ele os criou. Não houve boa aceitação até em relação ao nome dos personagens, porque chocava parte da sociedade mais conservadora. No entanto, anos mais tarde, ele passou a receber elogios e notar uma aderência à proposta, que o fez interromper os desenhos de “Os Skrotinhos”. Ele achou que eles já haviam cumprido seu papel de “transgressão” e não fazia mais sentido continuar.



Os jovens sentem muita afinidade com quadrinhos e charges, por conta mesmo da irreverência e tendência de vanguarda que essa expressão propõe e que foge à lógica linear dos textos impressos. O documentário Angeli 24 h mantém, na sua forma, uma narrativa leve com apresentação de muitos desenhos, além de ser uma oportunidade para se conhecer um dos nossos maiores cartunistas.

5ª Etapa: Apresentação do filme

O filme pode ser exibido sem necessidade de pesquisas prévias, apenas com alguns dados biográficos do entrevistado, além da informação sobre a diretora do curta metragem, Beth Formaggini.



Depois da exibição, várias disciplinas podem aproveitar a experiência de forma separada ou interligada.

6ª Etapa: Possibilidades de abordagem

Linguagens e Códigos – Leitura de imagens a partir das charges:



Cada vez mais os livros didáticos e provas como o ENEM têm se apropriado de charges para exercícios de leitura das imagens, uma vez que elas costumam apresentar elementos de ironia, humor e crítica sociopolítica. Os alunos podem escolher (individualmente ou em grupo) alguma charge de Angeli (no site http://www2.uol.com.br/angeli/) e desenvolver a produção de textos escritos (Língua Portuguesa) e trabalhos de artes visuais (Arte);



Ciências Humanas:



História:
As charges sempre estiveram presentes na imprensa, quase sempre a imprensa dita alternativa, isto é, jornais e revistas patrocinados por grupos políticos de oposição ao governo em vigor. A charge, portanto, está ligada à crítica política no tom do deboche, da linguagem mais transgressora. Mas elas não eram consideradas objeto de estudo da História tradicional. Atualmente, valoriza-se muito mais a história do cotidiano, onde as charges têm um papel revelador muito importante.



Os alunos podem desenvolver pesquisa sobre os principais cartunistas e veículos da imprensa alternativa, em várias épocas, relacionando-os a momentos específicos da História do Brasil. Por exemplo, o jornal “O Malho”, no início do século XX e a crítica à campanha higienista coordenada por Oswaldo Cruz; ou o cartunista Henfil no período da ditadura militar, etc.



Geografia: Angeli conta no documentário que sempre morou na Casa Verde, bairro situado ao lado da marginal Tietê e que seu mundo se ampliou quando ele se tornou office-boy e atravessou o rio. O cartunista retrata muito a cidade de São Paulo, suas belezas e contradições. A disciplina de Geografia pode propor uma discussão sobre o desenvolvimento da cidade e seus bairros, a partir das charges de Angeli;



Sociologia: Interligada ou não à Geografia e História, a área de Sociologia pode discutir, a partir da obra de Angeli, os movimentos sociais contemporâneos e os problemas mais graves da cidade de São Paulo;

7ª Etapa: Atividade Interdisciplinar

Uma das características das charges ou quadrinhos é que não há exigência de qualidade artística de quem a produz, mas a inserção em uma cultura de massas, isto é, de consumo em larga escala, uma arte efêmera e “pop”. A charge especificamente traz a interligação com a crítica cotidiana, isto é, muitas vezes ela está ligada a fatos que não necessariamente serão registrados na história oficial e, portanto, podem perder sentido com a passagem do tempo. Por exemplo, nas charges do início do século XX, a que satiriza a revolta da vacina, pôde tornar-se célebre. No entanto, uma piada sobre um acontecimento político que caiu no esquecimento, fica sem sentido na atualidade. Essa é uma boa discussão para se levar em todas as disciplinas, uma vez que a simples imagem está também ligada a um contexto sociopolítico da época de sua produção.



Exemplo de atividade: Exibir e solicitar observação dos alunos para as duas charges abaixo, produzidas por Angeli, identificando o período histórico em que foram produzidas e os personagens.

 


 

 

Na primeira charge, há referência a uma minissérie. Dependendo da idade dos alunos, pode ser mais ou menos fácil lembrar que no ano de 2006 (ano eleitoral), foi exibida, por uma emissora muito popular da TV aberta, uma minissérie sobre a vida de Juscelino Kubitscheck, chamada simplesmente “JK”. A observação atenta ajuda a identificar os elementos arquitetônicos de Brasília, cenário em que se passa o diálogo. As características físicas do personagem podem identificá-lo como o ex-presidente Lula, favorecendo a contextualização da charge.



Na segunda charge, são elencados vários ex-presidentes com discursos igualmente populistas, que se dizem inocentes de acusações de corrupção e acusam a imprensa de calúnia. A caracterização dos personagens permite a identificação de cada ex-presidente e a charge como um todo favorece uma análise mais ampla sobre nossa história política.

8ª Etapa: Debate

Após a apresentação das charges, elabore em sala, com os professores de História, Geografia e Sociologia, um debate entre os alunos, abordando a temática da conscientização política dos brasileiros e seu posicionamento em época eleitoral.

 

9ª Etapa: Produção Textual e Artística

Após o debate em sala, proponha com o professor de Língua Portuguesa, a produção de um texto que abarque as principais questões trabalhadas em sala. Isso pode ser desenvolvido em conjunto com o professor de Artes, com o desenvolvimento de caricaturas que podem ser de personagens famosos ou dos próprios alunos.

Materiais Relacionados

1. Assista ao curta Angeli 24 horas;

2. O historiador Elias Thomé Saliba realizou um importante estudo sobre o humor como chave de compreensão das narrativas históricas. O trabalho encontra-se no livro Raízes do Riso. Confira a resenha da obra.

3. Consulte diversas charges e saiba mais sobre a obra do cartunista Angeli.

Arquivos anexados

  1. Cinema e Educação: Angeli 24h

Deixe um comentário

Seja o Primeiro a Comentar!

wpDiscuz

Talvez Você Também Goste

Canudos: Primeira República – os conflitos

Entenda a origem dessa guerra e também sobre o Coronelismo no Nordeste do Brasil

Avatar Autor: Júlia Bittencourt

Realidade indígena no Brasil

Plano de aula aborda parte da história dos povos nativos do país

Avatar Autor: Júlia Bittencourt

Fluxos migratórios: Movimentos populacionais

Entenda quais são os motivos e as questões geográficas envolvidas nas migrações

Avatar Autor: Professora Júlia Bittencourt

Alfabetizando com a biografia do Ziraldo

Saiba como utilizar a história do autor para ensinar a escrever e ler

Avatar Autor: Professora Iracema Mendes Santos Alves

Receba NossasNovidades