Conteúdos

– Pós-modernismo: poesia concreta, tropicália, contracultura e poesia marginal
– Movimentos artísticos e políticos
– Contexto histórico: período democrático e ditadura militar

Objetivos

– Estudar a literatura brasileira pós-modernista
– Compreender os movimentos concretista, tropicalista e a poesia marginal
– Conhecer a vida e a obra de Paulo Leminski

1ª Etapa: Paulo Leminski e seu tempo – contexto histórico e das artes

Paulo Leminski nasceu em Curitiba, em 1944, e morreu na mesma cidade, vítima de uma cirrose hepática aos 44 anos, em 1989. Era filho de um polonês e de uma brasileira negra, fato que sempre importou na sua identidade, já que se auto apelidava de “polaco mulato de Curitiba” ou “polaco loco”. Leminski foi um dos mais geniais e completos escritores de sua época, tendo produzido 19 livros de poesia, cinco de prosa, 11 biografias e dois livros infanto-juvenis, além de traduções, textos jornalísticos e composições musicais.

Leminski tinha personalidade multifacetada. Criado por um pai militar estrangeiro, teve contato com diferentes línguas desde seu nascimento. Aos doze anos, foi estudar no monastério de São Bento, na cidade de São Paulo, onde teve uma formação católica clássica e aprendeu latim, grego, teologia, filosofia e literatura antiga. Era boêmio, casado com a também poetisa Alice Ruiz, pai de três filhos e faixa preta de judô. Realizava primorosas traduções – não se sabe ao certo se falava seis ou dez línguas diferentes, mas inglês, espanhol, polonês, latim, grego e japonês são confirmadas pela sua obra – e, ao mesmo tempo, desconstruía palavras e tinha um grande senso de auto ironia.

Considerado um poeta maldito durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, vem sendo cada vez mais descoberto pela literatura atual, é best-seller com seu livro “Toda Poesia”. Tem sido cobrado como leitura obrigatória em vestibulares e emprestou seu nome para nomear escolas, ruas e praças, sobretudo em Curitiba e outras cidades do estado.

Inscrito nos mais importantes movimentos culturais brasileiros da segunda metade do século XX, Leminski foi, antes de tudo, um artista autêntico e original. Em sua obra são claras as referências à sua biografia e o contexto histórico e artístico dos anos 1960, 1970 e 1980, nos quais transitou. Considerado pela crítica literária atual como um poeta da marginália ou do movimento marginal, Leminski, na realidade, deve seu início aos concretistas. Transitou pelos tropicalistas e compôs em conjunto com os membros do movimento. Além disso, traduziu clássicos, escreveu para jornais, foi professor de cursinho pré-vestibular e trabalhou em agências de publicidade.

Concretismo e poesia-práxis: o breve período democrático brasileiro e a Guerra Fria

Aos 19 anos, em 1963, Leminski participou da Semana Nacional de Arte de Vanguarda, onde encontrou e fez amizade com Haroldo e Augusto de Campos e com Décio Pignatari. Seus poemas de estreia são publicados na Revista Invenção, publicação do grupo dos concretistas, no ano seguinte, 1964, quando ele tinha apenas 20 anos de idade, muito mais novo que os poetas citados.

O movimento concretista é inaugurado em 1956, na Exposição Nacional de Arte Concreta ocorrida no Museu de Arte Moderna em São Paulo, herdeiro da segunda geração modernista, profundamente influenciado pelos dadaístas, futuristas e surrealistas europeus e fruto de um complexo contexto nacional e internacional.

Internacionalmente, o período compreendido entre 1945 e 1960 foi a fase da Guerra Fria conhecida como “corrida armamentista” ou “tecnológica”. A Guerra Fria, período que durou de 1945 a 1991, expôs um debate ideológico entre Estados Unidos e União Soviética expressados pelas suas distintas políticas econômicas. De um lado, Estados Unidos – capitalista – e de outro, União Soviética – socialista. Ambos haviam saído da Segunda Guerra Mundial vitoriosos e seu poderio militar, bem como uma ameaça de guerra nuclear, levou seus embates a uma tensão permanente internacional e guerras periféricas, como a Guerra da Coréia, em 1950, e a do Vietnã, em 1962.

No ano de 1956, o presidente do Brasil era Juscelino Kubtischeck, segundo presidente eleito democraticamente após o período do Estado Novo e da ditadura varguista e último presidente a cumprir um mandato inteiro antes do golpe militar de 1964. Era um contexto de intensa instabilidade política.

Juscelino Kubtischeck é eleito no pleito de 1955. Kubtischeck assume em momento delicado da história brasileira, visto que Getúlio Vargas havia cometido suicídio apenas dois anos antes. Permanece no modelo nacional desenvolvimentista, mas focado, principalmente, na construção de rodovias e na integralização nacional. Dois dos principais símbolos de seu governo são os planos de metas, conhecidos como “Cinquenta anos em Cinco” e a construção de Brasília.

Os concretistas brasileiros, inseridos nesse contexto, faziam parte de um movimento internacional afiliados ao estruturalismo do período. O estruturalismo elaborou uma metodologia das ciências humanas baseada na ideia de estrutura social, na qual a ideia principal se baseava na noção de padrões sociais nos quais os comportamentos humanos e as escolhas eram profundamente influenciados pelo contexto no qual cada um estava inserido. As ações coletivas e individuais poderiam alterar o contexto e, como consequência, as estruturas sociais. Nesse sentido, os estruturalistas aproximavam objetivo e subjetivo, indivíduo e coletivo, sujeito e objeto.

O grupo Noigrades, formado pelos irmãos Campos e por Pignatari e, posteriormente por outros poetas e artistas, é caracterizado por um preciosismo verbal e por uma imagem afrontosa, utilizando muito a temática da auto ironia e a temática erótica. Suas poesias dão bastante ênfase nas questões visuais e sonoras, abolindo quase que completamente o limite entre a poesia e a prosa. Foram também muito estudiosos da técnica em questão, elaborando, inclusive, teorias a respeito de sua produção e manifestos.

São características da poesia concretista as inovações no campo da semântica e léxico produzindo ideogramas, polissemias, trocadilhos, neologismos, estrangeirismos e símbolos. Na parte sintática e morfológica, são seus traços a ruptura com a ordem e com o alinhamento, o uso abusivo de sobreposições e a desfragmentação da palavra, separando-a de seus sufixos e prefixos. Além disso, os poetas utilizavam muitos recursos fonéticos, como aliterações, assonâncias, ênfase nas consoantes, jogos sonoros e o nonsense.

Os concretistas atribuíam à sua poesia a alcunha de revolucionária, se alinhando aos comunistas e tomando um partido claro na questão da Guerra Fria, sobretudo após a Revolução Cubana em 1959. Para esses poetas, a forma poética era, em si, revolucionária.

Como dissidência dos concretistas, outro grupo também foi importante no período, o grupo da poesia-práxis. Surgido em 1962, como um rompimento ao excessivo academicismo e rigor formal dos concretistas, o Práxis partia da ideia de “palavra-energia”, na qual a temática dos poemas e as atitudes práticas dos poetas tinham um peso muito maior que a rigidez imposta pelos concretistas. O principal poeta dessa corrente foi Mário Chamie.

A poesia da Práxis era caracterizada por uma linguagem revolucionária e radical, tanto em forma quanto em conteúdo, e uma rejeição ao academicismo dos concretistas. Do ponto de vista estrutural, as poesias permaneciam muito parecidas com as concretas. Os poetas, no entanto, tinham mais liberdade artística para combinar poemas visuais e formas tradicionais, e mais rigidez para tocar a temática, sendo esta necessariamente a temática social mais relevante para o grupo em questão.

Leminski, portanto, se afiliou à ideia propagada por ambos os grupos em sua lírica. Abaixo, um dos poemas publicados na Revista Invenção, em 1964:

Fonte

Tropicália: a contracultura e a ditadura militar

No final dos anos 1960, Leminski casou-se com Alice Ruiz e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde viveu no “Solar da Fossa”, uma espécie de residência artística frequentada pelos artistas do tropicalismo, como os Novos Baianos, Caetano Veloso e Gilberto Gil e os Mutantes, onde realizou experiências estéticas, intensos debates políticos e artísticos.

O movimento tropicalista durou de 1967 a 1969 e exerceu profunda influência no cinema, música, artes plásticas e teatro. Dada a implantação do Ato Institucional nº 05, diversos artistas pertencentes a esse movimento foram presos ou exilados.

Em 1961, Jânio Quadros e João Goulart foram eleitos presidente e vice-presidente do Brasil. Dada a renúncia de Jânio Quadros à presidência, em 1962, uma junta militar tentou impedir que João Goulart assumisse o posto, alegando que ele era próximo aos comunistas, já que estava em uma viagem à China no momento da renúncia. Goulart conseguiu assumir em 1963, mas seu mandato durou apenas até dia 31 de março de 1964, quando sofreu um golpe de Estado que o depôs e instaurou um período que durou de 1964 a 1985, conhecido como ditadura militar, caracterizado pelo fechamento do regime político através de eleições indiretas, repressão e perseguição aos oposicionistas e a proibição de partidos políticos.

O ponto auge da repressão na ditadura militar foi o Ato Institucional nº 05, de 1968. Sob o argumento de proteção da segurança nacional, o regime se fechou ainda mais e impôs a censura prévia de música, teatro, televisão, cinema e imprensa. O regime, que já havia reprimido os sindicatos, as organizações de classe, os partidos diversos e os trabalhadores rurais, a partir do AI-5, passou a reprimir também artistas e estudantes, expandindo sua atuação ao âmbito moral da sociedade.

A tropicália foi um movimento artístico influenciado pelo concretismo e pelo movimento de contracultura, que surgiu nos Estados Unidos na década de 1960. A contracultura foi um movimento de contestação pacifista contra a cultura dominante, erudita, e a Guerra do Vietnã. Além das manifestações em prol de direitos civis de mulheres e negros, tal movimento foi permeado por um forte teor social, filosófico e cultural. Pautou o anti-consumismo e o vegetarianismo e valorizou o contato com a natureza. Trouxe para o ocidente um apreço pela cultura e religiões orientais e teve um forte teor de liberdade de costumes.

Como movimento de contestação, a tropicália se apropriou das questões colocadas pelos jovens americanos e trouxe para as composições brasileiras o rock e a guitarra elétrica, o uso de drogas e a liberdade sexual. Tinham uma grande intenção de chocar e, por isso, usavam roupas coloridas, cabelos compridos e valorizavam a performance nos palcos e festivais independentes.

Paulo Leminski também esteve inserido nesse movimento e contribuiu com algumas composições como “Promessas Demais”, gravado por Moraes Moreira, e “Verdura”, por Caetano Veloso, disponíveis nos links abaixo:

Marginália: um espaço fora da grande mídia e os excluídos

O movimento com o qual Leminski mais se afiliou e no qual os críticos literários o inserem foi o da “poesia marginal”, também conhecida como “geração mimeógrafo”, que ocorreu nas décadas de 1970 e 1980. Herdeiros dos tropicalistas, os marginais estavam inseridos no contexto da repressão brasileira e, por isso, tinham uma produção independente, não aceita e nem reconhecida pela grande mídia. Receberam o apelido de “geração mimeógrafo” porque a divulgação de poemas e produções literárias e de artes visuais era feita de forma manual, baseadas em colagens e sobreposições, e a divulgação era realizada através de cópias feitas por mimeógrafos ou por gráficas amadoras, sem que dependessem, assim, de grandes editoras ou de livrarias, burlando o rígido controle da ditadura militar.

Além de se manifestarem contra a ditadura militar e contra a cultura oficial brasileira construída nas escolas e propagandeada pelo regime repressor, a marginália também criticava a tropicália, alegando que faziam músicas decodificadas e difíceis de serem compreendidas pelo grande público. Criticava as imposições editoriais e o academicismo. O movimento abriu espaço para artistas periféricos, como Itamar Assumpção, e deu voz a grupos que não eram representados anteriormente.

Caracterizada por poemas e textos curtos, pela linguagem coloquial, espontânea e quase falada, com gírias, palavrões, neologismos e construções sonoras, seus materiais também continham muitos elementos visuais, como quadrinhos, fotomontagens e imagens. Por trazer forte apelo erótico, cotidiano, sarcástico, irônico e criticar abertamente o regime e as tristezas da vida, os poetas e músicos da geração marginal foram tratados pela crítica como “malditos”.

Um outro elemento da poesia marginal foi o chamado “poema-minuto”, composições breves e curtas que muitas vezes eram espalhados pelas cidades através de lambe-lambes, formas baratas de colagem de cartazes, muitas vezes impressos em papel-jornal e com cola feita à base de farinha de trigo e vinagre.

Alguns poemas de Leminski desse período são:

Uma vida é curta
para mais de um sonho

***

o critério
“atitudes estranhas”
não dá
para condenar pessoas
criaturas
com entranhas

***

este dia
este perverso dia
que veio depois de ontem

Disponível em: LEMINSKI, Paulo. Quarenta clics em Curitiba. In: Toda Poesia. Companhia das Letras: São Paulo, 2013.

Mais sobre Leminski: os haicais

Além de toda a produção realizada em conjunto com os diversos movimentos surgidos durante sua breve vida, Leminski também era admirador da cultura japonesa. Ele fez traduções de diversas obras, além de ter escrito uma biografia do poeta japonês Matsuo Basho, que viveu no século XVII, no Japão, e escreveu uma série de haicais. Leminski também escreveu diversos poemas nesse formato, ressignificando sua escrita no cotidiano brasileiro contemporâneo.

Haicai é uma poesia composta por apenas 17 sílabas poéticas, sua intenção é captar um momento da natureza e fazer um gracejo, uma brincadeira com o instante. Os haicais se caracterizam por serem poesias curtas, de três versos, podendo ou não ter título. O primeiro e o terceiro verso são pentassílabos e o segundo heptassílabo. Leminski, no entanto, seguindo sua característica criativa e transgressora, nem sempre obedeceu essa regra em suas composições, primando, sobretudo, pela captação do instante em detrimento da forma rígida, mas mantendo o caráter de brincadeira e da sonoridade.

Alguns haicais de Leminski são:

amei em cheio

meio amei-o meio

não amei-o

***

meio dia      três cores

eu disse vento

e caíram todas as flores

***
o mar azul de sábado

liguei pro céu

mas dava sempre ocupado

***

era uma vez

o sol nascente

me fecha os olhos

até eu virar japonês

Conclusão

Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1889, vítima de uma cirrose hepática em decorrência do alcoolismo. Foi um autor e escritor que teve vasta obra produzida e publicada, muito embora tenha sido feita em apenas 20 anos e toda demarcada pelo período da ditadura militar no Brasil. Transitou por diversos grupos e gêneros, não podendo ser categorizado com absoluta dureza em nenhum deles.

Texto resumido baseado em:

BOSI, Alfredo. VIII. Tendências Contemporâneas. In: História Concisa da Literatura Brasileira. Editora Pensamento-Altrix: São Paulo, 1994.

PEDROSA, Célia. Paulo Leminski: sinais de vida e sobrevida. Revista de Estudos Neolatinos vol. 08 n. 01. Rio de Janeiro, 2006.

FRANCHETTI, Paulo. O HaiCai no Brasil. Revista de Estudos Neolatinos vol. 10 n. 02. Rio de Janeiro, 2008.

2ª Etapa: Leitura de poesia

Sugere-se que o(a) professor(a) realize a leitura de poesias de autoria de Leminski em conjunto com a turma. Como as poesias contém um forte traço visual, a proposta é que sejam projetadas no datashow para uma leitura coletiva, ou impressas para observação. A seguir, uma breve proposta de roteiro para usar em sala:

1) A primeira leitura pode ser feita pelo(a) professor(a), atentando na sonoridade do poema e na quebra dos versos;
2) Perguntar aos alunos qual a sensação que tiveram a partir da leitura e da visualização da poesia;
3) Perguntar qual a compreensão que tiveram do conteúdo do texto lido;
4) Debater a respeito das diferenças entre esses poemas e outros que já tiveram contato ao longo da vida: separação de versos, de sílabas poéticas, métrica, rimas, título (se há ou não), sentido (explícito ou subentendido), temática, etc.

*Todos os poemas propostos nessa atividade estão no livro: LEMINSKI, Paulo. Toda Poesia. Companhia das Letras: São Paulo, 2013.

Obs.: É necessário tomar muito cuidado ao buscar poesias de Leminski na internet, pois há muitos erros de digitação e de formatação. Por se tratar de poemas cuja questão visual tem grande importância, isso pode prejudicar a leitura dos mesmos. O melhor é buscar livros publicados ou fac-símiles.

***

Compra a briga das coisas
Gigante em vão
Contra a parede
Prega a palma da mão

***

Fechamos o corpo
como quem fecha um livro
por já sabê-lo de cor.

Fechando o corpo
como quem fecha um livro
em língua desconhecida
e desconhecido o corpo
desconhecemos tudo.

***

Ruas cheias de gente.
Seis horas.
Comida quente.
Caçarolas.

***

O tempo fica
cada vez
mais lento
e eu
lendo
lendo
lendo
vou acabar
virando lenda

***

Ainda vão me matar numa rua
Quando descobrirem,
principalmente,
que faço parte dessa gente
que pensa que a rua
é a parte principal da cidade.

***

um dia desses quero ser
um grande poeta inglês
do século passado
dizer
ó céu ó mar ó clã ó clandestino
lutar na índia em 1866
e sumir num naufrágio clandestino

***

o p que
no pequeno &
se esconde
eu sei por q

só não sei
onde nem e

***

nada tão comum
que não possa chamá-lo
meu

nada tão meu
que não possa dizê-lo
nosso

nada tão mole
que não possa dizê-lo
osso

nada tão duro
que não possa dizer
posso

***

objeto
do meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo

seja a estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza

faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
seja

***

entre a dívida externa
e a dúvida interna
meu coração
comercial

alterna

***

aqui

nesta pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado

***

um poema
que não se entende
é digno de nota

a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota

***
coração
PRA CIMA
escrito embaixo
FRÁGIL

***
CURVA PSICODÉLICA
a mente salta dos trilhos

LÓGICA ARISTOTÉLICA
não legarei aos meus filhos

***

acordo      logo              durmo
durmo      logo              acordo
nem          memórias                   nem diários
comigo     mesmo         dialogo
daqui        até                 ali
dali           até                 logo

***

confira

tudo que respira
conspira

***

ameixas
ame-as
ou deixe-as

***
duas folhas na sandália

o outono
também quer andar

***

o
soo
u
oou
o
sin
o
sou
o
sig
n
gno
n
nim
o

***
undergroundblitzkrieg

o close-up do souvenir
o ersatz do harakiri
o marketing de pindorama

***
tai-otoshi para kodokan

passos lentos
escrevem
VONTADE DE CHEGAR

precisa andar
como quem já chegou

chega de chegar

depressa
é muito devagar

***

entre

a água

e o chá

desab

rocha

o maracujá

***

alvorada

alvoroço

troco minha alma

por um almoço

***
ano novo

anos buscando

um ânimo novo

3ª Etapa: Jardim de poesias

Sugere-se a realização de um “Jardim de poesias”.

Materiais utilizados: folhas coloridas ou sulfites cortadas em quadrados pequenos; canetas coloridas ou canetinhas; fita crepe.

Etapas:
1) Realizar a leitura de haicais, de Paulo Leminski e de outros autores;
2) Explicar o processo de criação de haicais: a métrica, temática e captação do instante;
3) Aproveitar uma ou mais aulas fora da sala de aula, pode ser a quadra, o pátio ou até um ambiente com área verde;
4) Os alunos devem observar instantes e realizar a produção de haicais;
5) Uma vez produzidos os haicais, os alunos podem espalhá-los pela escola, a fim de estimular outros alunos a “colhê-los”.

4ª Etapa: Fanzine (sugestão)

O(A) professor(a) poderá elaborar com os alunos um fanzine, inspirados pelas ideias desenvolvidas pelos autores da poesia marginal.

Materiais: folha Sulfite; canetinhas e lápis de cor; tesoura e cola; revistas velhas.

Etapas:
1) Debater com os alunos a respeito da poesia marginal;
2) Separar a sala em grupos de alunos;
3) Cada grupo deverá escolher um tema que gostaria de divulgar ideias sobre;
4) Os alunos farão uma pesquisa e produzirão um fanzine sobre o assunto.
Lembrar: o Fanzine tem muitas imagens e colagens, é bom estimulá-los a produzirem seus próprios textos, poesias e colagens sobre o assunto.

Tutorial de fanzine

Dicas:

Documentário “Ervilha da Fantasia”.

Programa “Especial Paulo Leminski”, exibido no Programa “Meu Paraná” de 2009: Parte 1Parte 2.

Documentário “Diverso – Paulo Leminski”: Parte 1Parte 2.

Documentário “Forma é poder: a poesia jornalística de Paulo Leminski”.

Documentário “Paulo Leminski – Um coração de Poeta” de 1990, dirigido por Sônia Garcia.

Materiais Relacionados

1) VILARINHO, Sabrina. Poesia Concreta. Acesso: 08/01/2019.

2) DIANA, Daniela. Poesia-Práxis. Acesso: 08/01/2019.

3) PEREZ, Luana Castro Alves. Poesia Marginal. Acesso: 08/01/2019.

4) Sobre a Marginália. Acesso: 10/01/2019.

5) Sobre a vida e obra do escritor: PEREZ, Luciana Castro Alvez. Paulo Leminski. Acesso: 09/01/2019.

6) PLUTA, Alessandra. Paulo Leminski. Acesso: 09/01/2019.

Para aprofundamento:

– O livro “História Concisa da Literatura Brasileira”, parte VIII, “Tendências Contemporâneas”, de Alfredo Bosi.
BOSI, Alfredo. VIII. Tendências Contemporâneas. In: História Concisa da Literatura Brasileira. Editora Pensamento-Altrix: São Paulo, 1994.

– O artigo “Quantas margens cabem em um poema? Poesia marginal ontem, hoje e além”, de Frederico Coelho.

– O artigo “Paulo Leminski: sinais de vida e sobrevida”, de Célia Pedrosa.
PEDROSA, Célia. Paulo Leminski: sinais de vida e sobrevida. Revista de Estudos Neolatinos vol. 08 n. 01. Rio de Janeiro, 2006.

– O artigo “O HaiCai no Brasil” de Paulo Franchetti.
FRANCHETTI, Paulo. O HaiCai no Brasil. Revista de Estudos Neolatinos vol. 10 n. 02. Rio de Janeiro, 2008.

Arquivos anexados

  1. Plano de aula – Paulo Leminski

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