Conteúdos

– Funk
– Popularização do funk

Objetivos

– Compreender a origem do funk
– Questionar e refletir se o funk é uma manifestação artística
– Apresentar o funk brasileiro e alguns de seus subgêneros

Previsão para aplicação:
2 aulas (50 min/aula)

1ª Etapa: Breve história do funk

O funk é o estilo musical mais popular entre os adolescentes, prova disso é a plataforma de streaming Netflix, que produziu a série “Sintonia” (2019), que tem como tema central a história do MC Donni e todo o contexto cultural do funk e da periferia da cidade de São Paulo. O funk rompeu muitas fronteiras e possui artistas no país inteiro. Com isso, para dar início ao debate, pergunte aos estudantes se gostam do estilo, quais artistas prediletos e os motivos pelos quais ouvem funk. Posteriormente, questione se a turma sabe de onde surgiu o funk.

O funk e a transformação da música popular nos EUA

O funk surgiu entre as décadas de 1950/60 nas comunidades negras dos Estados Unidos, quando misturaram os gêneros musicais soul, jazz e rhythm and blues. A partir de então, surgem os primeiros artistas a serem identificados com o estilo musical que hoje é chamado de funk.

Antes de falarmos sobre os precursores, cabe algumas palavras sobre a palavra “funk”. Não existe uma tradução específica para esse termo, porém, nos EUA, era utilizada para questões sexuais ou como ofensa – o movimento musical do funk veio para ressignificar e dar outra conotação. O funk passa a ser associado às batidas do que hoje é esse estilo musical.

O cantor James Brown é considerado o pai e fundador do funk, seus dois primeiros discos são considerados obras primas por aqueles que trabalham e gostam desse estilo musical. Mas por que ele é considerado o criador do funk? Inspirado no rhythm and blues, que tinha batida rítmica de 2:4 (ou seja, batida mais lenta), Brown acelerou o ritmo para 1:3 (mais rápido e intenso) e esta velocidade por minuto (Bpm) se tornou a raiz do funk.

Posterior à primeira onda do funk americano, surgiria outra vertente que também marcou época: o funkadelic, que misturava instrumentos metais com rock psicodélico e ficou conhecido como o P-Funk. O artista considerado criador do funk psicodélico é George Clinton, que na época, liderava duas bandas: Parliament e Funkadelic. Essas duas bandas, às vezes, tocavam juntas, o que configurou o Parliament-Funkadelic, daí o P-Funk. A marca desse estilo são batidas mais pesadas e psicodélicas.

O P-Funk vai influenciar toda uma geração de musicistas, entre as décadas de 1980 e 1990, isso dentro e fora do ritmo funk. O groove e o eletro são dois gêneros musicais que surgem a partir da influência do P-Funk; outro, especificamente na década de 1990, é o Drum and bass, que se popularizou nas festas de música eletrônica ou raves.

O funk brasileiro

O funk desembarca no Brasil no final da década de 1970. Neste momento, os principais bailes eram realizados nas comunidades periféricas da cidade do Rio de Janeiro. Durante a década de 1980, ocorre uma explosão dos bailes funk graças ao trabalho do Dj Marlboro, que é considero o responsável pela disseminação dessa cultura no Brasil.

No início, o funk brasileiro ainda era muito influenciado por aquele produzido nos EUA, principalmente pela vertente chamada de “Miami Bass”, com foco nas batidas eletrônicas – muito próximo do eletro – e com letras cantadas em inglês. As festas organizadas pelo DJ Marlboro começam a rodar o Brasil, vira notícia na imprensa e se torna alvo de preconceito por parte da sociedade brasileira.

Por se tratar de um estilo musical surgido nas periferias, parte da imprensa e dos políticos do Brasil iniciam ações para marginalizar o funk. Desde aquela época até os dias atuais, parlamentares apresentam Projetos de Lei que visam coibir a realização dos bailes e até mesmo proibir. Cabe destacar que tal movimento elitista também ocorreu com o samba, que também surgiu nas periferias do Rio de Janeiro, São Paulo e de outras cidades brasileiras.

Um marcador histórico importante no funk brasileiro é o lançamento do disco “Funk Brasil”, produzido pelo DJ Marlboro. De acordo com os levantamentos e pesquisas de especialistas sobre música no Brasil, é partir daí que se dá início à produção de um estilo próprio e com letras em português. Porém, até a virada do século, o funk ainda era tratado como algo “marginal” da arte brasileira. Artistas como Anitta, Tati Quebra Barraco e MC Gui, são responsáveis por levar o funk brasileiro para o topo das paradas. Em boa parte, esse trabalho é resultado das produções do KondZilla, considerado hoje o principal produtor do funk e responsável por lançar nomes como MC Guimê, MC Jottapê e MC Gui.

O funk brasileiro possui algumas vertentes, são elas: funk carioca ou funk tradicional; funk ostentação ou funk paulista (marca desse estilo é a exaltação de produtos como carros, mansões e o dinheiro); funk consciente (como o próprio nome diz, essa vertente se aproxima muito do rap, pois suas letras são focadas em dramas sociais) e por fim, o funk pop, marcado por músicas com refrãos fáceis e batidas mais tranquilas.

Em 2009, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reconheceu o funk como patrimônio cultural do estado, com o Projeto de Lei nº 1671/2008.

2ª Etapa: Atividade com os estudantes

Após a apresentação dessa breve história do funk e de suas vertentes, conversar com os estudantes sobre o que acham a respeito desse movimento.

Aos que elegeram o funk como estilo de música preferido (lá no início da aula), questione se sofrem preconceito por isso e se consideram o funk um ritmo que dá voz à periferia, assim como rap.

Materiais Relacionados

1) Vídeo “Como Surgiu o Funk”

2) Vídeo “Clipe do Passinho – Todo Mundo Aperta o Play”

3) Vídeo “Entrevista com DJ Marlboro”

4) Vídeo “MC Gui e MC Loma e As Gêmeas Lacração – No Talentinho (kondzilla.com)”

5) Vídeo “MC Guimê – No Auge (KondZilla)”

6) Vídeo “MC Doni – Te Amo Sem Compromisso (kondzilla.com)”

Livros sugeridos para aprofundamento:

1) VIANNA, Hermano. O Mundo funk carioca. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

2) DINIZ, André. CUNHA, Diogo. A República cantada: do choro ao funk, a história do Brasil através da música. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

3) PEIXOTO, Luiz Felipe de Lima. 1976: Movimento Black Rio. São Paulo: Editora José Olympio, 2016.

Arquivos anexados

  1. Plano de aula – Breve história do funk

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