Conteúdos

Primavera de Praga – Tchecoslováquia

Objetivos

Conhecer a Primavera de Praga

1ª Etapa: Início de Conversa

O objetivo desse plano de aula é abordar a Primavera de Praga, uma iniciativa de reforma política que aconteceu em 1968 na Tchecoslováquia, país da Europa Central que, mais tarde, em 1992, se dividiria em dois, como se configura hoje: a República Tcheca e a Eslováquia. Atualmente, Praga é a capital e a maior cidade da República Tcheca.

Para compreender esse movimento, o ponto de partida é observar a polarização mundial que ocorreu após a Segunda Grande Guerra. Essa se deu entre a então existente União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos (EUA). Com disputas estratégicas, mas nem sempre com ataques armados ou diretos, essas duas potências mergulhavam o mundo na chamada “Guerra Fria” (1945-1991). Durante esse período de tensão, os países agregavam-se sob o bloco socialista da URSS ou permaneciam em acordo com o capitalismo dos EUA. Certamente a “escolha” não dependia somente de preferências ideológicas, mas de coerção política, abastecimento econômico e armamentista e acordos territoriais, canalizados por essas duas forças em relação às outras nações.

Os países da Europa Ocidental, como França e Inglaterra, mantiveram-se independentes, porém mais alinhados às políticas dos Estados Unidos. Os países da Europa Oriental, como no caso da Tchecoslováquia, passaram a compor o bloco soviético. Mesmo em países economicamente liberais, havia governos ditatoriais e, em terras socialistas, também existiam enormes disparidades socioeconômicas.

Voltando um pouco na linha do tempo, de 1927 a 1953, Joseph Stalin liderava a URSS, a união socialista da qual a Tchecoslováquia fazia parte. Promoveu medidas como a industrialização e redistribuição de terras, porém, para os indivíduos contrários a seu regime, reservava o exílio, a morte e os Gulags, que eram campos de trabalho forçado com condições sub-humanas.

No contexto da Guerra Fria, surge a figura central de Alexander Dubček, líder do Partido Comunista da Tchecoslováquia e chefe de Estado. Em 1968, tinha pretensões reformistas: seu intuito era criar “um socialismo com face humana”, o que incluiria diversas reformulações econômicas, políticas e culturais para seu país. Apoiando-o, estavam intelectuais e parte da população, cuja intenção era arrefecer o poder das arbitrariedades do governo soviético como um todo. A essa movimentação se deu o nome de “Primavera de Praga”, um levante de curta duração, mas com impactos na história da Europa e do mundo, durando brevemente, de 5 de janeiro a 28 de agosto de 1968.

Dubček retirou os embargos realizados pela censura, o que não só trouxe consumo de produtos comercializados no bloco capitalista para a Tchecoslováquia, como fez com que outras vozes pudessem ser ouvidas, a exemplo do movimento estudantil. Promoveu um plano econômico descentralizado do Estado, visto que a prestação de serviços básicos estava em frangalhos.

A Tchecoslováquia estava desiludida com o autoritarismo da URSS em relação às nações do bloco e com o comunismo, o qual desejava reformar. Essa decepção refletiu-se em migrações e auto isolamento político, a imprensa era silenciada e as opiniões, muitas vezes, punidas.

Em 5 de abril de 1968, Dubček divulgou um “Programa de Ação” do Partido Comunista Tchecoslovaco, o texto estipulava mais liberdade de expressão a imprensa, receptividade para as empresas e sugeria a possibilidade de uma democracia pluripartidária para a Tchecoslováquia. O “Texto de Duas Mil Palavras”, do intelectual Ludvík Vaculík, publicação veiculada em jornal, foi um sinalizador do acolhimento dessas ideias: grandes nomes de diversos setores reiteravam um socialismo democrático com bases ocidentais e pediam uma transição acelerada, aderindo publicamente ao conteúdo desse documento. Contudo, em 21 de agosto de 1968, a URSS enviou pesada ofensiva contra os reformistas, tanques e soldados do Pacto de Varsóvia invadiram Praga e prenderam Dubček. Participavam do Pacto: Albânia, Bulgária, Tchecoslováquia, Hungria, Polônia, Alemanha Oriental, Romênia e URSS, que o chefiava. Seu intuito era combater os interesses do lado ocidental europeu e norte-americano, porém, também ocupava militarmente nações que mostrassem algum tipo de dissidência.

A intenção imediata da Tchecoslováquia não era o separatismo do bloco oriental ou deixar de cooperar para o Pacto de Varsóvia, mas as inovações enfureceram a URSS e seu presidente, Leonid Brejnev. Os populares reagiram usando a tecnologia a seu favor: rádios transmitiam notícias por breves momentos, impedindo a URSS de captar o sinal e nele interferir, assim, eram divulgados propósitos como: revisão constitucional; descentralização econômica; denúncias de excessos do regime totalitário; liberação partidária; expressão da imprensa e socialdemocracia.

A ofensiva de mais de 500 mil soldados, tanques e aviões, pôs fim à Primavera de Praga. Confrontos localizados se deram, mas o principal alvo era a tomada de órgãos governamentais e de pontos fundamentais da cidade de Praga. Contudo, a face da guerra mostrada pelo Pacto de Varsóvia aos dissidentes, sinalizava uma mensagem bem clara: medo e ameaça aos líderes dos outros países da União Soviética que pretendessem algo semelhante.

Dubček foi preso e, em 1969, renunciou, só voltando para a vida política por volta dos anos 80. Esse episódio contribuiu para o início do esfacelamento histórico da União Soviética. Mais tarde, nos anos 90, sob atuação de Mikhail Gorbachev, Secretário Geral da URSS, a aproximação do bloco soviético a vários países, socialistas ou não, colaborou para o mapa-múndi que hoje vemos. Gorbachev era capaz de negociar: foram lançadas a Glasnost, uma liberação política e que remetia à possibilidade de um governo mais transparente em suas ações, e a Perestroika, reestruturação econômica. Ao longo dessa década houve quebras de barreiras fundamentais – literalmente – como o Muro de Berlim, que separava Alemanha Oriental e Ocidental.

Esses conceitos são extremamente relevantes para a geopolítica dos anos 1980-1990 e podem ser considerados fruto da Primavera de Praga por terem gerado uma intenção de diálogo e remodelação político-econômica que trariam reflexos em escala mundial.

2ª Etapa: Sensibilização do tema

Nessa etapa, o(a) professor(a) poderá selecionar trechos do livro “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera, e propor uma reflexão ou debate comum, em leitura presencial, em sala de aula. A ideia é lançar mão da poética do autor para gerar apontamentos e opiniões sobre um mundo polarizado entre URSS e EUA, guerras e relações interpessoais, prejudicadas de uma maneira ou de outra.

Diz Kundera (2008): “E, de novo, veio-lhe à cabeça uma ideia que já conhecemos: a vida humana só acontece uma vez e não poderemos jamais verificar qual seria a boa ou má decisão, porque, em todas as situações, só podemos decidir uma vez. Não nos é dada uma segunda, uma terceira, uma quarta vida para que possamos comparar decisões diferentes […].”

Fonte: KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

3ª Etapa: Conhecendo a Primavera de Praga

Proponha aos alunos que sentem em duplas para preencher uma tabela (confira o modelo no arquivo anexo na área de “Arquivos anexados”).

Ela terá os seguintes tópicos:

O que foi a Primavera de Praga?
Movimento reformista de 1968 que propunha diversas alterações econômicas, políticas e culturais para a Tchecoslováquia.

Quais são os atores desse processo?
O político Alexander Dubček, líder do Partido Comunista naquela nação, intelectuais e população, desiludidos com o autoritarismo da URSS, que vinha ganhando força desde o governo stalinista (1927-1953).

O que pretendia?
Dubček falava em criar “um socialismo com face humana”, com foco em: revisão constitucional; descentralização econômica; denúncias de excessos do regime comunista; liberação partidária; expressão da imprensa e socialdemocracia.

Quais os desdobramentos imediatos?
A Rússia, a grande força do bloco socialista, e seu presidente, Leonid Brejenev, usaram o Pacto de Varsóvia para combater as iniciativas da Tchecoslováquia.

O que era o Pacto de Varsóvia e como atuava?
O Pacto de Varsóvia era uma aliança entre Albânia, Bulgária, Tchecoslováquia, Hungria, Polônia, Alemanha Oriental, Romênia e URSS, que o chefiava. Seu intuito era combater os interesses do lado ocidental europeu e norte-americano. Porém, também ocupava militarmente as nações que mostrassem algum tipo de dissidência do pacto.

Como agiu o Pacto de Varsóvia frente à Primavera de Praga?
Realizou uma ofensiva com mais de 500 mil soldados, tanques e aviões e pôs fim à Primavera de Praga.

Quais os reflexos da mobilização reformista, direta ou indiretamente?Esfacelamento do bloco socialista e remodelação político-econômica em escala mundial.

4ª Etapa: Pesquisa, produção textual e correlação com ENEM/Vestibular

Nessa etapa, os alunos poderão se dividir em grupos para pesquisar alguns temas-chave relacionados à Primavera de Praga, em 1968.

Algumas sugestões:

– Stalinismo;
– Gulags;
– Comunismo, Socialismo;
– Socialdemocracia;
– Liberalismo;
– Resistência pacífica;
– Perestroika;
– Glasnost;
– Governo Gorbachev.

Em seguida, com auxílio do(a) professor(a), irão vincular a Primavera de Praga com as razões para a queda da URSS (desilusão com o comunismo, autoritarismo, iminente ameaça da Guerra Fria, etc.) e com a nova conformação geográfica do mundo (República Tcheca e Eslováquia, etc.). O caráter popular e cultural da Primavera de Praga também é contemporâneo a fatos dos movimentos estudantis na França e em outros países europeus ocidentais em 1968.

Materiais Relacionados

1 – Leia a reportagem publicada em jornal de grande circulação sobre a Primavera de Praga.
O GLOBO. “Moscou esmaga a Primavera de Praga com 650 mil soldados soviéticos e aliados”. Site O Globo. 2013. Acesso em: 14 ago. 2018.

2 – Livro-base para entender as muitas mudanças do século XX.
HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

3 – Crítica à obra de Eric Hobsbawn.
MAGNOLI, Demétrio. O esqueleto que sorri. Folha de São Paulo. [s.d.]. Acesso em: 13 ago. 2018.

4 – Para um rápido panorama sobre a Primavera de Praga e a Tchecoslováquia, leia: SILVA, Daniel Neves. Primavera de Praga. Site História do Mundo. [s.d.]. Acesso em: 13 ago. 2018.

5 – Dicas para ENEM e vestibulares, correlacionadas ao tema.
OFICINA DO ESTUDANTE. Os 50 anos do movimento de maio de 1968. Site Vestibular Brasil Escola UOL. Acesso em: 13 ago. 2018.

Arquivos anexados

  1. Plano de Aula – Primavera de Praga

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