Você certamente já ouviu falar sobre assédio ou conhece alguma mulher que tenha passado por essa situação. No Brasil, 37% delas já sofreram alguma violência desse tipo, de acordo com a ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Foi pensando em mudar essa realidade que Brenda Abreu (23), Vitor Hugo Moraes (23) e Mateus Bezerra (20) desenvolveram o SafeGirl – aplicativo que tem a intenção de reduzir o número de casos de violência, combatendo formas de opressão e proporcionando espaços de proteção e empoderamento para as mulheres. A iniciativa permite que usuárias do app, em todo o Brasil, descubram quais são os locais mais bem avaliados em aspectos como segurança, risco de assédio, atendimento e conforto.

“A história da plataforma nasceu quando Vitor Hugo soube que o edital do programa Campus Mobile estava aberto e convidou a mim e ao Mateus para entrarmos na competição com ele”, lembra a graduada em direito, Brenda Abreu.

Embora haja apenas uma mulher na equipe, os rapazes demonstram empatia e preocupação com essa causa, que impacta a vida de inúmeras mulheres no Brasil e outros países. “Meu interesse nasceu ainda na universidade. Sempre foquei minhas pesquisas na área dos direitos humanos. Além disso, acompanho a indignação de dezenas de amigas que sofrem diferentes tipos de assédio e violações, o que também me incomoda e faz com que eu queira colaborar com a luta delas”, pontua Moraes.

Para Mateus, a ligação veio por meio da convivência. “Desde muito novo, acompanho de perto as dificuldades que as mulheres do meu ciclo familiar passam para alcançar seus espaços e direitos na sociedade”, comenta.

O grupo não tinha grandes expectativas ao se inscrever no concurso, mas, ao serem classificados para a semana presencial – fase em que as equipes desenvolvem suas ideias com tutores, palestras e maratonas de programação –, eles perceberam que podiam ir mais longe. Para isso, era preciso se dedicar ainda mais.

“Começamos a ver videoaulas, frequentamos eventos de inovação, tiramos dúvidas e conversamos com profissionais do setor público e privado. Aos poucos, fomos nos familiarizando com os termos técnicos e nos apropriando da dinâmica cotidiana de uma startup”, lembra Abreu.

O caminho foi árduo e de muito trabalho. A equipe passou por momentos de tensão e, faltando apenas um dia para a banca que definiria os finalistas do concurso, os três empreendedores viraram a madrugada refazendo a apresentação do projeto.

“Somos mais capazes do que imaginávamos”, diz Bezerra. “Eu era o único que trabalhava com programação na minha equipe. Vitor e Brenda tiveram que aprender tudo do zero sobre startups. Nunca tinham trabalhado com a área de tecnologia e conseguiram, em um curto período, aprimorar nossa ideia”, acrescenta ele.

“Ficamos muito felizes com a classificação para a última etapa. A surpresa foi ainda maior com o resultado final: vencer na categoria Diversidade com uma causa que dá voz a muitas mulheres”, completa a garota.


Representatividade é importante!

Para Brenda, o desenvolvimento do SafeGirl foi um desafio. Principalmente porque defender essa causa não é apenas uma questão de equidade, mas também de sobrevivência para muitas mulheres – reflexão que inspirou o nome do aplicativo.

“Sou a única representante do sexo feminino entre os vencedores da 7ª edição do Campus Mobile, a única a ir para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, representando todas que lutam diariamente por seus direitos”, enfatiza.

Ao final da entrevista, ela ainda deixa uma mensagem importante para quem sonha em criar a própria empresa ou lançar a própria iniciativa. “Empreender não é muito fácil, ainda mais sendo mulher e tendo nossas capacidades colocadas à prova o tempo todo. Porém, é necessário que a gente ocupe espaços de empreendedorismo, dando voz e visibilidade à nossa luta”, pontua.

Moraes finaliza com uma reflexão sobre como os homens podem auxiliar na causa. “É necessário sair da nossa ‘caixa’, reconhecer os privilégios e colaborar com outras lutas sociais. Apoie e colabore, principalmente tentando mudar a mentalidade machista que está enraizada na sociedade.”


Sobre o aplicativo

Atualmente, o SafeGirl está em fase de testes com usuárias para validação e aperfeiçoamento. Embora ainda não tenha sido lançado, a versão beta na PlayStore repercutiu nacionalmente e foi pauta em sites de tecnologia. O lançamento está previsto para o segundo semestre de 2019, com versões para os sistemas Android e iOS.
Para mais informações, acesse o site do SafeGirl.

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