No dia 10 de agosto de 2015, completam-se 20 anos da morte do sociólogo, professor e político brasileiro Florestan Fernandes. Entre seus legados para a educação estão sua participação na “Campanha em Defesa da Escola Pública” (1958-1966), suas intervenções na Constituinte de 1988 e na “Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional” (LDB), nos anos 90.
 
O pensador ainda deixou cinco livros integralmente dedicados ao tema. “Para Florestan, a educação representava um caminho para a emancipação humana. Fosse pela modelagem da personalidade do indivíduo, a sua capacitação intelectual, política e profissional, fosse pelas possibilidades de transformação social”, resume o docente do Departamento de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Assis), Paulo Henrique Martinez.
 
Educação para todos 
Florestan ocupou a cadeira de Sociologia da Educação na Universidade de São Paulo (USP) durante a década de 60. Atribuía ao trabalho do professor e dos estudantes em sala de aula o verdadeiro espaço da educação. “Dizia ele que uma educação distante das salas de aulas, da escola, não seria capaz de consolidar a sociedade democrática e a justiça social no Brasil”, conta Martinez.
 
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Sua militância voltou-se para o alargamento das oportunidades educacionais e pela defesa de um ensino laico, público, gratuito e universal. “No Prefácio de ‘Desafio Educacional’, ele apontou o que lhe parecia a prioridade fundamental: colocar os trabalhadores, os excluídos e os oprimidos nas malhas da rede escolar”, destaca o professor da faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher.
 
O sociólogo também enxergava a educação como um ato político, sentindo isso na pele ao ser afastado compulsoriamente da USP pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5). No exílio, atuou como professor convidado das Universidades de Columbia, Yale e de Toronto.
 
De volta ao Brasil, foi eleito deputado constituinte pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em 1986. Apresentou 46 emendas relacionadas à Educação, cujos focos eram assegurar a autonomia universitária, impedir a queda de investimentos no setor e lutar contra a mercantilização do ensino. Mas, acabou sofrendo derrotas importantes na plenária. “Ele se deparou com os obstáculos do poder da Igreja Católica e da bancada privatista. Tal bloco impôs retrocessos, como a admissão de verbas públicas para as instituições privadas e o ensino religioso nas escolas públicas”, destaca a professora da Faculdade de Educação da UFRJ, Vânia Cardoso da Motta.
 
Vida pessoal
Na vida pessoal, Florestan procurava agir de acordo com as doutrinas defendidas em sala de aula. Pai de seis filhos, matriculou a todos em escolas particulares. “Ele pensava que aqueles que pudessem deveriam matricular seus filhos em escolas privadas, de modo a deixar as vagas públicas aos filhos daqueles que mais necessitavam”, conta a socióloga e filha de Florestan, Heloísa Fernandes.
 
Heloísa cursou Ciências Sociais na USP sem que houvesse interferência ou aconselhamento do pai. Antes de deixar o Brasil, Florestan chegou a ser professor da filha na disciplina de “Teorias Sociológicas”. Ao retornar do exilio, eles se aproximaram intelectualmente, politicamente e afetivamente. “Dos vários momentos que tivemos, esse foi o melhor pai que conheci e que me faz uma falta enorme”, confessa. 
 
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