Entra semestre, sai semestre e a depressão continua figurando na lista de doenças que mais afastam os professores da sala de aula. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (Seeduc), somente em 2014 foram 1.944 docentes com licença médica por conta de episódios depressivos.
 
Em São Paulo, o estudo "A Saúde do Professor da Rede Estadual de Ensino", realizado em 2010 pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), apontou que 57% dos afastamentos eram motivados pela doença. “A depressão não tem uma causa unilateral. Existem pré-disposições genéticas, fatores biológicos, questões relacionadas ao funcionamento de neurotransmissores e, por fim, fatores ambientais, que influenciam no seu aparecimento”, descreve o médico psiquiatra da Clínica Sintropia, Douglas Motta Calderoni.
 
Mas, afinal, por que a incidência da doença entre professores de escolas públicas é tão alta? Algumas hipóteses ajudam a explicar o fenômeno, como baixa autoestima relacionada à falta de reconhecimento social e econômico da profissão. Somam-se a isso as más condições de trabalho e a exposição a situações de violência, que geram medo. 
 
“Há ainda a sobrecarga de trabalho e as exigências burocráticas, que fazem com que o professor esteja sempre sob pressão. Isso tudo mina a sua perspectiva de atuar para mudar a sociedade, afeta o valor do seu trabalho e causa desesperança”, reforça a psicanalista e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Walter José Martins Migliorini.
 
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Mal silencioso
Alguns sintomas sinalizam que a depressão está por perto, como alterações no sono. “A pessoa passa a dormir demais ou a ter insônia, acordando no meio da noite angustiada”, descreve o psiquiatra. O paciente deprimido também deixa de sentir prazer nas atividades que exerce, apresenta um pensamento repetidamente negativo, pode manifestar choro sem fatores desencadeantes, pouca energia e sensação constante de culpa.
 
“O tratamento é medicamentoso, mas também se faz necessária a psicoterapia, que ajuda o paciente a refletir sobre as relações pessoais, profissionais e a resgatar a autoestima”, completa o médico. Para Migliorini, tão importante quanto a terapia são as melhorias das condições de trabalhos das políticas educacionais. “Isso aliviaria os fatores ambientais que podem colaborar com a depressão”, explica.
 
Calderoni ainda atenta para o fato do professor deprimido procurar ajuda especializada apenas quando a saúde está comprometida. “Os professores chegam ao serviço apresentando um alto grau de sofrimento. O ideal é procurar ajuda assim que os sintomas começarem a se manifestar”, completa. 
 
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